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Venha descobrir Portugal comigo!

  • Foto do escritor: João Pais
    João Pais
  • 21 de out. de 2024
  • 2 min de leitura
Monsaraz, Reguengos de Monsaraz - Seis anos de Linha de Terra
Monsaraz, Reguengos de Monsaraz

Um, dois, três, quatros, cinco, seis… seis anos de Linha de Terra. O blog Linha de Terra celebra hoje, 21 de Outubro, seis anos de existência.

Muitos quilómetros a percorrer o país, muitos lugares lindos, muitas histórias, muitas (boas) memórias, muitos amigos. Seis anos de dedicação e paixão pela descoberta e pela partilha de cada novo destino, de cada novo cantinho. Destinos cheios de história(s) para contar. Cantinhos mágicos que valem a pena conhecer. Espero conseguir despertar a curiosidade em que me lê e me segue com regularidade e que, acima de tudo, faça com que os meus leitores metam os pés ao caminho.


Cevide, Melgaço - Seis anos de Linha de Terra
Cevide, Melgaço

Não tem sido fácil (principalmente este último ano). Têm sido seis anos de muito trabalho, dedicação e paixão neste projecto que me dá muito gosto fazer acontecer e fazer crescer. O projecto Linha de Terra tem crescido, tem ganho notoriedade e vai traçando o seu caminho, passo a passo, quilómetro a quilómetro. Longe de tendências ou de modas, sigo o meu caminho. O caminho que gosto, que idealizei para este projecto desde o seu início, fugindo dos grandes roteiros turísticos e divulgando aquele lugar que (ainda) não vem nos guias. Vai continuar a ser assim.

Seis anos a conhecer melhor o nosso país, um pouco da sua história, mostrar a sua diversidade e aquilo que temos de mais belo. Temos que gostar, conhecer e valorizar a nossa terra. Temos que ter orgulho no nosso território. Afinal, temos o mais belo país do Mundo!


Castelo Novo, Fundão - Seis anos de Linha de Terra
Castelo Novo, Fundão

Seis anos é um marco. Um marco no caminho que tracei e que os leitores, e eu, fomos percorrendo por esse país fora, de Norte a Sul, do litoral ao interior. Seis anos é também um tempo de viragem. Tempo de crescer. O Anuário Linha de Terra - Descobrir Portugal irá continuar a ser publicado por altura do Natal e novos projectos irão sair do caderno de esboços e verão a luz do dia. Em breve vai haver novidades. Novidades que (já) estão a nascer e a mexer.


Romeu, Mirandela - Seis anos de Linha de Terra
Romeu, Mirandela

Quero deixar aqui um agradecimento a todos aqueles que me têm apoiado e ajudado a levar este projecto para a frente e a quem me tem enviado mensagens de incentivo, de parabéns e com convites e ideias de novos lugares para visitar. Um especial agradecimento a todos os que, regulamente, vêm ler estas linhas e que seguem o projecto Linha de Terra nas redes sociais. Muito obrigado a todos, sem vocês desse lado este projecto não fazia sentido.

Que venham mais seis anos, um de cada vez.

Eu e o leitor destas linhas haveremos de nos cruzar por aí, juntos a Descobrir Portugal.

Até lá.


Vilarinho de Negrões, Montalegre - Seis anos de Linha de Terra
Vilarinho de Negrões, Montalegre

 
 
  • Foto do escritor: João Pais
    João Pais
  • 11 de set. de 2024
  • 5 min de leitura
Ponte da Misarela

Hoje trago um lugar “místico”. Um lugar único e de grande beleza. Um lugar dividido entre Montalegre e Vieira do Minho: a Ponte da Misarela que, segundo os populares e crenças antigas, foi construída pelo diabo.

Imponente e construída num cenário maravilhoso, a Ponte da Misarela é uma das pontes medievais mais bonitas que já visitei.


Ponte da Misarela, ou a Ponte do Diabo
Ponte da Misarela, ou a Ponte do Diabo

A Ponte da Misarela é um local de fronteiras; fronteira geográfica, pois aqui confrontam os concelhos de Montalegre e Vieira do Minho e, no imaginário popular devido às lendas associadas a esta Ponte, este é um local místico onde se confrontam o bem e o mal.

A bonita Ponte da Misarela, também conhecida como Ponte dos Frades ou ainda por Ponte do Diabo devido às lendas que por aqui se contam, está construída no fundo de um desfiladeiro por onde corre o rio Rabagão. Um vale que separa os distritos de Braga e de Vila Real. A ponte une as freguesias de Ruivães (Vieira do Minho) e Ferral (Montalegre).

A data da sua construção permanece desconhecida, mas estima-se que a Ponte da Misarela tenha sido construída durante a Época Medieval e reconstruída, mais tarde, no início do século XIX. A sua construção, em pedra de granito, é um magnífico exemplo da qualidade construtiva daquela época, tendo resistido firmemente ao passar dos séculos e aos elementos da natureza. A Ponte é uma obra arquitectónica arrojada que assenta sobre dois maciços penedos, apresentando um vão de 13 metros e uma altura bastante considerável em relação ao leito do rio. A Ponte da Misarela é testemunho da engenharia da época, uma obra de arte que se funde perfeitamente na paisagem que a envolve, num enquadramento cénico de grande beleza, digno de um filme medieval ou de seres mágicos.


Ponte da Misarela
Ponte da Misarela

Na envolvente à Ponte, encaixada entre os muitos rochedos, há uma queda de água impressionante. Numa das margens do Rabagão ergue-se um enorme rochedo que os locais denominaram como “púlpito do diabo” e onde dizem que o demo, à meia noite, vem pregar para as bruxas das redondezas…

Da parte de baixo da Ponte, no leito do Rabagão, existem algumas lagoas onde é possível tomar banho quando a força das águas não for muito grande (principalmente nos dias quentes de Verão).


A Ponte da Misarela une os municípios de Montalegre e Vieira do Minho
A Ponte da Misarela une os municípios de Montalegre e Vieira do Minho

O acesso à Ponte da Misarela pode fazer-se tanto pelo lado de Ferral (Montalegre), como pelo lado de Ruivães (Vieira do Minho). Pelo lado de Montalegre, é preciso dirigir-se até à localidade de Sidrós (Ferral) e seguir até à pequena capela da Misarela, onde terá que deixar o carro, não havendo aqui muito espaço para estacionar. Depois terá que seguir a pé por uma estrada de acesso a alguns terrenos e depois pela Calçada Medival. Até à ponte são cerca de 900 metros. Ao longo do caminho vai passar por alguns miradouros com vista para a Ponte. A outra alternativa para chegar até este magnífico local, é descer a estrada CM1397 a partir do quartel dos Bombeiros Voluntários de Vieira do Minho (Secção de Ruivães), junto à N103. Um pouco depois de passar a Central Hidroelétrica de Frades vai encontrar uns lugares de estacionamento à direita, onde começa um pequeno caminho (está devidamente assinalado) que nos vai levar até à Ponte da Misarela. É uma agradável caminhada, de cerca de 800 metros, com vista para o rio Rabagão.


Rio Rabagão na Ponte da Misarela
Rio Rabagão

O rio Rabagão nasce entre as serras do Barroso e do Larouco a mais de 1100 metros de altitude. Tem um comprimento de 37 quilómetros e desagua no rio Cávado cerca de 700 metros depois da Ponte da Misarela. No seu percurso atravessa o concelho de Montalegre e abastece as barragens da Venda Nova e de Pissões (Alto Rabagão).

Se estiver interessado em fazer uma caminhada (maior) que o traga a conhecer a Ponte da Misarela, existem dois trilhos que o trazem até este magnífico local: o PR8 de Vieira do Minho, um trilho linear com 11 quilómetros, com início na Junta de Freguesia de Ruivães; e o PR5 de Montalegre, um trilho circular com 12 quilómetros e com início e final no lugar de Vila Nova, em Ferral.


A lenda e o ritual

A rica tradição oral desta região teceu diversas lendas em torno da Ponte da Misarela. Assim, a Ponte está envolta em inúmeras lendas e mitos que lhe conferem uma aura mística e que a tornam ainda mais fascinante.

Uma das lendas, conta que a Ponte era utilizada por frades para atravessar o rio e que este era um local de peregrinação. Mas a lenda mais conhecida, e uma das mais inusitadas, atribui a construção da Ponte ao próprio Diabo. Reza a história que um homem perseguido pela justiça, terá aqui chegado e, na impossibilidade de atravessar o rio e perante a eminente captura, terá invocado a intervenção divina. Como não obteve qualquer resposta, terá então invocado o poder do Diabo, prometendo-lhe a sua alma caso este permitisse a sua fuga. O Diabo aparece-lhe e faz surgir uma ponte para o homem atravessar o rio e assim permitir a sua fuga.

Depois existem diversas variações desta mesma lenda envolvendo um padre que na hora da morte do homem fugitivo, recita um exorcismo e abençoa a ponte, quebrando o pacto com o Diabo.


Ponte da Misarela
A Ponte da Misarela “esconde” antigos rituais

Mas a Ponte da Misarela também está associada a um ritual ancestral, que hoje terá caído em desuso. Este ritual destina(va)-se a mulheres grávidas com receio de abortar. As mulheres, acompanhadas pelo marido, pernoitam na Ponte e, depois do por do sol, esperar que nenhum animal passe por ali. Os casais devem aguardar pela primeira pessoa que ali passar que, será convidada a apadrinhar a futura criança. Consta que ninguém terá recusado tal pedido. O baptismo é realizado logo ali e na hora. Com recurso a uma corda e a um púcaro de barro, recolhe-se água do rio que será derramada no ventre da futura mãe, devendo o padrinho recitar esta oração: “Eu te baptizo, criatura de Deus, pelo poder de Deus e da Virgem Maria, se fores rapaz serás Gervaz, se fores rapariga, serás Senhorinha”. Ao que parece, na região do Barroso ainda existem alguns Gervásios e algumas Senhorinhas.


A Ponte da Misarela e as Invasões Francesas

A Ponte da Misarela é também um local histórico e um marco importante na história de Portugal. Terá sido neste local, em 1809, que se deu um sangrento combate entre o exército de Napoleão e as tropas luso-britânicas aquando da segunda invasão francesa.

O exército de Soult, instalado no Porto e perante a ameaça de ataque por parte das tropas aliadas, lideradas pelo General Wellesley, decide abandonar a cidade e fugir com os seus homens em direção a Espanha. Com os principais itinerários cortados para barrar a marcha das tropas francesas, o general francês terá optado pelos caminhos sinuosos das montanhas e, quando aqui chega, as numerosas tropas napoleónicas foram derrotadas por 800 homens locais, numa batalha sangrenta onde muitos soldados franceses perderam a vida.

A Ponte da Misarela também ficou para a história por ter sido aqui o embate entre as tropas do general Silveira e as tropas do coronel Zagalo (1827) e pela sangrenta batalha em que os liberais, liderados pelo General Antas, derrotaram as tropas do marechal Saldanha, do duque da Terceira e do barão de Leiria (1838).


Ponte da Misarela
A Ponte da Misarela leva-nos numa viagem mágica

A Ponte da Misarela é um local de rara beleza, envolvida por uma paisagem natural de cortar a respiração, a fazer lembrar uma bela pintura. A Ponte da Misarela, o rio Rabagão, a queda de água e toda a envolvente levam-nos numa viagem mágica a terras de druidas, magos e seres mágicos. Este é um lugar que, sem dúvida, vale a pena conhecer. Vai ver que a magia (ou o místico) e a força do local o vai fazer ficar por aqui longos momentos em verdadeira interiorização, meditação e contemplação. Este é um lugar mágico.


 
 
  • Foto do escritor: João Pais
    João Pais
  • 27 de ago. de 2024
  • 3 min de leitura
A Cascata de Bilhó fica mesmo ao lado da estrada
A Cascata de Bilhó fica mesmo ao lado da estrada

Localizada perto dos limites do Parque Natural do Alvão, no concelho de Mondim de Basto, a Cascata de Bilhó é uma das mais belas cascatas de Portugal continental.

Localizada nas imediações da aldeia de Bilhó, envolta por belas zonas verdes, a Cascata é uma obra maior da Natureza que surpreende o viajante menos prevenido ao desfazer uma das curvas da estrada que liga Cavernelhe e Bilhó.


Cascata de Bilhó
Cascata de Bilhó

A Cascata de Bilhó, no concelho de Mondim de Basto, localiza-se nas imediações da aldeia que lhe cede o nome, e fica mesmo ao lado da estrada. Esta é, certamente, a cascata mais acessível do município de Mondim de Basto. Por isso mesmo, muito concorrida nos meses de Verão para um banho refrescante.

A Cascata de Bilhó é uma sequência de quedas de água e respectivas lagoas. Esta sequência de quedas de água tem uma extensão superior a 300 metros, onde o rio Cabrão desce monte abaixo, numa autêntica escadaria natural.

A Cascata de Bilhó é um espectáculo natural de grande beleza e simplicidade. Aqui podemos desfrutar de uma paisagem fantástica e de águas cristalinas que convidam a momentos de lazer, tranquilidade e profunda comunhão com a Natureza.

A “escadaria” natural construída ao longo dos tempos pelo rio Cabrão, proporciona diversas pequenas lagoas onde é possível tomar um banho refrescante. É possível subir com alguma facilidade algumas lagoas, contudo é importante (re)lembrar que, mesmo secas, as rochas podem ser extremamente escorregadias. Tenha cuidado e não corra riscos desnecessários.

Os mais aventureiros, com alguma perícia devido à inclinação do terreno, podem tentar subir até ao topo onde se pode apreciar alguns velhos moinhos e as piscinas naturais. Não recomendo que o façam dado o perigo que acarreta e porque o topo da Cascata de Bilhó e as piscinas naturais do rio Cabrão são acessíveis por estrada como eu já tive oportunidade de publicar aqui no blog [ver aqui].

Convém lembrar que o caudal das cascatas varia ao longo do ano, sendo sempre preferível visitar no final do Inverno quando o caudal é maior ou, em alternativa, no final do Outono, após as primeiras chuvas.

A Cascata de Bilhó permite ir a banhos nas suas lagoas
A Cascata de Bilhó permite ir a banhos nas suas lagoas

O rio Cabrão é um curso de água de montanha com cerca de dez quilómetros de extensão e presenteia-nos com belas paisagens, piscinas naturais e com a magnífica Cascata de Bilhó. O rio Cabrão nasce um pouco acima da aldeia da Bobal, a mais de 1200 metros de altitude, no planalto das Gevencas, na serra de Macieira. Ao longo do seu percurso acidentado, o rio passa pelas localidades de Bobal, Pioledo, Bilhó Cavernelhe e Vila Chã, desaguando no rio Cabril, no lugar das Mestras.


Na semana passada vieram a público notícias (Expresso, Público e Município de Mondim de Basto, entre outros) de que o Ministério do Ambiente e a Agência Portuguesa do Ambiente pretendem construir uns passadiços (mais uns…) para “valorizar a cascata do rio Cabrão, em Mondim de Basto”. A Cascata de Bilhó, no rio Cabrão (e todas as outras), é um bem natural de grande beleza e de grande valor paisagístico e geológico, não é necessária a intervenção humana para valorizar o que a Natureza moldou de belo ao longo do tempo. A Cascata de Bilhó não precisa de ser “valorizada”, precisa de ser preservada. Qual é a necessidade da construção de uns passadiços neste local? Nenhuma, já que a parte superior da Cascata e as piscinas naturais do rio Cabrão são facilmente acessíveis por estrada (cerca de dois quilómetros). Vamos deixar de lado esta febre por passadiços e importar-nos mais com a despoluição dos cursos de água e com a preservação do meio-ambiente.


A beleza natural da Cascata de Bilhó não necessita duns passadiços
A beleza natural da Cascata de Bilhó não necessita duns passadiços

Recomendo que venha conhecer a beleza da Cascata de Bilhó antes da alegada intervenção prevista. A Cascata de Bilhó e as piscinas naturais do rio Cabrão são só alguns dos muitos motivos para visitar o Parque Natural do Alvão, uma das mais belas regiões do nosso país. Vá até lá, desfrute da beleza do local, tome um banho se estiver calor, mas não se demore mais do que o necessário para não perturbar o ecossistema local. Não faça barulho e não deixe lixo. A Natureza agradece.


Cascata de Bilhó, no rio Cabrão (Mondim de Basto)
Cascata de Bilhó, no rio Cabrão (Mondim de Basto)

Aproveite a oportunidade e faça uma visita às aldeias de Bilhó, Pioledo e Bobal, pequenas aldeias que preservam o casario e as suas tradições. Percorra as ruas das aldeias com os seus espigueiros, atravesse pontes ancestrais (romanas) e converse com os habitantes locais. Respire o ar puro da Natureza, sinta a leveza e deixe-se apaixonar pelo Parque Natural do Alvão e por esta magnífica região.


 
 
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