top of page
Âncora 1

Faça parte da minha lista de emails e fique a par de todas as novidades em primeira mão.

Venha descobrir Portugal comigo!

  • Foto do escritor: João Pais
    João Pais
  • 10 de mai.
  • 15 min de leitura
Aldeia de Drave
Drave

Drave é um dos lugares mais míticos e, provavelmente, uma das aldeias mais isoladas de Portugal. Encravada na serra da Freita, no concelho de Arouca, como outros destinos que tenho vindo a divulgar, também não aparece nos principais roteiros turísticos e é precisamente isso que a torna singular. Uma aldeia desabitada, acessível apenas a pé, preservada quase intacta pelo tempo e pela distância. Assim é Drave, a Aldeia Mágica.



Pela minha experiência, sei que existem alguns lugares que nos transmitem uma força e uma energia difícil de nomear. Não sei se é a energia do próprio sítio ou algo que nós próprios lhe emprestamos — provavelmente as duas coisas. É uma sensação que não se explica, vive-se. Sente-se in loco, com espírito aberto e sem pressas.

Já tinha ouvido falar da “magia” que se sentia nesta aldeia desabitada. Quando fui a Drave pela primeira vez, talvez há dez ou doze anos, senti exactamente isso: uma paz e uma leveza (apesar da caminhada para lá chegar) que poucos lugares me deram. A zona é maravilhosa, o percurso deslumbrante, a aldeia surpreendentemente bela. Algo ali me puxou — e continua a puxar. Normalmente, vou a Drave duas vezes por ano. É a minha peregrinação.

Drave é uma aldeia sem infra-estruturas que parou num tempo longínquo e onde o tempo não passa. Se está cansado do barulho do quotidiano, da corrida do dia-a-dia, farto dos seus vizinhos, Drave é o local ideal para si — pelo menos durante uma tarde —, para se desligar do corre-corre diário, sentir a Natureza e reconectar-se consigo. Desabitada há mais de duas décadas, Drave deixou de ser uma aldeia onde a vida era dura e difícil, para se tornar num paraíso para caminhantes e amantes da Natureza. Drave tornou-se “mágica”.


Drave é uma aldeia desabitada situada numa zona remota da serra da Freita marcada pelo isolamento geográfico.
Drave é uma aldeia desabitada situada numa zona remota da serra da Freita marcada pelo isolamento geográfico.

Localização de Drave

Drave está encaixada num vale entre as serras da Freita, da Arada e de São Macário, em pleno coração do Arouca Geopark, perto dos limites do município de Arouca com o concelho de São Pedro do Sul. A aldeia mais próxima, Regoufe, fica a quatro quilómetros, e é de lá que parte o trilho que nos conduz até ela.

Drave é uma aldeia onde não há monumentos, museus, ou palacetes antigos. Toda a aldeia é um museu a céu aberto. Aqui há Natureza, tradição e história. Drave é um lugar onde as paisagens naturais são um regalo para a vista e para a alma de todos os visitantes que se atrevam a percorrer o caminho até lá. Um verdadeiro deleite para os amantes do turismo de Natureza.



Drave, a Aldeia Mágica, apenas é acessível a pé, preferencialmente seguindo o PR14 de Arouca, um trilho devidamente marcado
Drave apenas é acessível a pé, preferencialmente seguindo o PR14 de Arouca, um trilho devidamente marcado

Como chegar a Drave

A Drave não se chega, Drave conquista-se passo a passo, quilómetro após quilómetro. Aqui não há estradas asfaltadas, nem sinal de GPS que nos deixe na entrada da aldeia. O caminho é, ele próprio, parte da experiência: uma preparação silenciosa para o que vamos encontrar em Drave.

Drave já se encontra perto dos limites do município de Arouca com o vizinho concelho de São Pedro do Sul, pelo que tanto se pode chegar desde Arouca como a partir do território de São Pedro do Sul.

Do lado de Arouca, o “caminho oficial”, devidamente marcado, é o PR14 – A Aldeia Mágica que tem início na aldeia vizinha de Regoufe. São quatro quilómetros de trilho, que se fazem entre a hora e meia e as duas horas de caminhada. O nível de dificuldade é baixo, mas à saída de Regoufe (e, no regresso, à chegada à aldeia) o caminho sobre íngreme e bastante pedregoso para nos testar as pernas. É o preço a pagar…

Do lado de São Pedro do Sul, o acesso faz-se a partir do CM1123 – que liga a estrada do Portal do Inferno, a aldeia de Pena ou o São Macário, à ER326 que nos leva até bem perto de São Pedro do Sul. No entroncamento que dá acesso ao Portal do Inferno, é necessário virar à direita e percorrer cerca de 3.300 metros onde vai encontrar uma bifurcação à direita. A partir daqui, deixamos o CM1123 e é preciso fazer cerca de 3.600 metros num estradão em terra batida. Dependendo do veículo de cada um, e do estado do estradão, há quem deixe o carro logo no início, e há quem o leve até cerca de 600 metros da aldeia… Se tiveres um todo-o-terreno estás com sorte. Mas esta não é a forma certa de se entrar num local como Drave. A caminhada, trilho fora, atravessando a serra, o contacto com a Natureza, o ir sentindo o afastamento e o isolamento fazem parte da experiência e é parte integrante da “magia” do local. Eu opto sempre por fazer o prazeroso PR14 a partir de Regoufe. Podes ler tudo sobre este PR14 aqui.



Drave, a Aldeia Mágica, fica "encaixada" num vale entre as serras da Freita, Arada e São Macário
Drave, a Aldeia Mágica, fica "encaixada" num vale entre as serras da Freita, Arada e São Macário

A geografia do local

Escondida entre as serras, no coração do Arouca Geopark, num vale moldado pela pedra e pela água, onde tudo parece ter sido pensado mais pela Natureza do que pelo homem, a aldeia de Drave surge como aquela peça improvável que falta colocar para terminar o puzzle. Ali, tudo encaixa na perfeição.

Nesta região, como noutras zonas de montanha, as povoações estão bastante dispersas (e quase desertas). A aldeia mais próxima, Regoufe, fica a quatro quilómetros. É de lá parte o PR14, um trilho de paisagem generosa que, apesar do esforço, chega a transmitir uma estranha sensação de paz antes mesmo de se avistar a aldeia.

Drave localiza-se entre os 600 e os 630 metros de altitude, rodeada por cumes bem mais altos (Arada, 1120; Freita 1100; São Macário, 1053), a aldeia está encaixada numa encosta rodeada por montes e vales profundos, numa área onde se cruzam diversas linhas de água e onde o relevo contribui para o seu carácter escondido. Ao redor da aldeia há socalcos feitos durante gerações à força de braços e antigos campos agrícolas que, noutros tempos, foram o sustento dos seus habitantes.

A ribeira de Palhais brinda os visitantes de Drave com pequenas cascatas de águas criatalinas
A ribeira de Palhais brinda os visitantes com pequenas cascatas

Toda a zona é rica em granito e xisto, materiais que estão presentes na paisagem durante a caminhada até à aldeia e, depois, nas próprias casas de Drave. Aqui, a terra é bastante fértil devido às inúmeras ribeiras que descem encosta abaixo. A ribeira de Palhais, que passa ao fundo da aldeia, é um elemento estruturante da paisagem e o fio condutor de todo o vale. Tudo se desenvolve à volta da ribeira. Este pequeno curso de água percorre a montanha desenhando o território, esculpindo pequenas cascatas e cirando lagoas tranquilas ao longo do seu caminho. Mais do que um acidente geográfico, a ribeira é a espinha dorsal do lugar. Ao longo de milhares de anos foi moldando o local, criando zonas férteis e orientando o próprio crescimento da aldeia. A ribeira de Palhais acompanhou a vida de quem aqui viveu. Hoje, o murmúrio constante das suas águas preenche o silêncio de Drave, ocupando o espaço que o ruído humano há muito deixou vazio.


O topónimo “Drave”

A origem do topónimo “Drave” permanece incerta, não existindo uma explicação consensual. É possível que o nome tenha uma origem pré-latina ou celta e que, muito provavelmente, derive de um termo relacionado a hidrografia, com água corrente, cursos fluviais ou com antigos nomes de rios.

O mais provável é que o nome tenha nascido mesmo antes da aldeia, como nome do território ligado à água e não da povoação em si. Factor que se justificaria dado que a aldeia está inserida num sistema de ribeiras de montanha onde o território é estruturado pela água. Aliás, deve ser por isso que algumas pessoas definem o local como a aldeia da Drave.

O topónimo “Drave” também poderá ter ligação a antigos nomes pessoais como Dravius ou Dravinius (nomes provavelmente da Baixa Idade Média, com influências de culturas eslavas ou latinas).



Percorra as ruas de Drave, espreite as casas em ruínas e visite cada recanto da aldeia.
Percorra as ruas de Drave, espreite as casas em ruínas e visite cada recanto da aldeia.

A aldeia

As construções em pedra escura (xisto) ainda demonstram bem a arquitectura tradicional das comunidades serranas. As construções estão harmoniosamente dispersas pelo relevo da encosta, por onde corre a ribeira de Palhais, como que parecendo que ali foram estrategicamente dispostas. Há uma coerência e uma proporção quase natural nas construções e na sua disposição. Todo o conjunto (encosta, ribeira e aldeia) forma um quadro muito agradável.

Admire a harmonia da aldeia ainda antes de descer para a ponte sobre a ribeira. Atravesse a pequena ponte de pedra e percorra as ruas empedradas e desertas de Drave. Espreite as casas em ruínas (mas com cuidado), admire as que já estão arranjadas pelos escuteiros, visite cada recanto da aldeia. Vale a pena deambular pelas suas ruas de “calçada” bastante irregular, perceber a arquitectura tradicional portuguesa e de como era feita a construção destas casas. A aldeia não deve ter tido mais do que duas dezenas de construções entre casas de habitação, currais, palheiros e adegas.

A pequena capela de Nossa Senhora da Saúde em Drave
A pequena capela de Nossa Senhora da Saúde

Para além do núcleo de casas de xisto com telhados de lousa e de algumas eiras e espigueiros comunitários, destaca-se a pequena capela de Nossa Senhora da Saúde caiada de branco, assim como o Solar dos Martins (convertido em quartel-general da IV Secção do Corpo Nacional de Escutas). No centro da aldeia ergue-se a capela de Nossa Senhora da Saúde, cuja construção remontará a meados do século XIX, provavelmente do ano 1851, período em que Drave terá atingido a sua maior vitalidade e uma comunidade estável, organizada, de alguma dimensão.

Procure absorver a paisagem circundante e as suas elevações. A paisagem e a Natureza também fazem parte da aldeia. Ao fundo da aldeia, a ribeira de Palhais completa o quadro bucólico com zonas refrescantes de grande beleza, pequenas cascatas e lagoas de água límpida que refletem a luz e o azul do céu. Durante os meses quentes de Verão esta zona é bastante procurada pelos caminhantes que aproveitam as águas cristalinas (e frias) da ribeira de Palhais para retemperar energias antes do regresso.



No seu tempo áureo, Drave terá tido mais de 100 habitantes
No seu tempo áureo, Drave terá tido mais de 100 habitantes

A história de Drave

Drave foi, durante séculos, uma pequena comunidade rural isolada, uma aldeia típica de montanha com uma actividade agrícola de subsistência. Aqui, as suas gentes viviam da agricultura e da pastorícia. Entre os seus habitantes, destaca-se a família Martins, presente na aldeia durante várias gerações e que viria a ter um papel primordial na evolução e no crescimento de Drave.

Vestígios arqueológicos como sepulturas Pré-Históricas, castros e o aparecimento de uma pulseira de provável origem Celta encontrada nas proximidades de Drave (em Regoufe), confirmam a presença humana em Drave muito antes da Idade Média. A presença abundante de água e a fertilidade dos solos que permitiam a subsistência terão sido os principais motivos para a fixação do homem neste local.

Em Drave, cultivava-se milho, feijão, centeio, batata, hortícolas e forragem para os animais. O centeio e o milho destinavam-se ao fabrico do pão; o folhedo e a palha do centeio serviam para a alimentação e cama dos animais. A vinha e a apicultura também eram actividades importantes para a aldeia.

O documento mais antigo com referências a Drave remonta ao século XIII e às Inquirições dos Reguengos das Beiras, realizadas durante o reinado de D. Dinis (1279-1325).

Posteriormente, o Cadastro da População do Reino, ordenado por D. João III, em 1527, registava as povoações de Drave, Regoufe e Covelo de Paivó, na freguesia de São Martinho das Moitas, concelho de Lafões e Sul. Nessa altura, Drave era um núcleo muito pequeno que contava com oito pessoas.

No século XVIII, o casal Maria e Francisco Martins instalam-se em Drave. A partir daqui, a família Martins torna-se importante e dominante na aldeia durante várias gerações, tendo tido um papel crucial na manutenção do lugar e no desenvolvimento da aldeia. Apesar da família Martins ter sido dominante, Drave não se fez só de uma família, e os habitantes da aldeia não se limitavam aos seus elementos. A existência de minas ali perto e a possibilidade de adquirir terra própria foram trazendo novas gentes. O lugar foi crescendo, as casas aumentando e os terrenos de cultivo foram sendo conquistados à serra.

No seu tempo áureo, Drave terá tido mais de 100 habitantes, mas o encerramento das minas, o isolamento e as dificuldades da vida na serra foram levando ao progressivo abandono dos seus habitantes. O Mundo ficava cada vez mais afastado de Drave, os caminhos ficavam “mais compridos” e a vida tornava-se cada vez mais difícil.

No início da década de 90 do século passado, já apenas residiam na aldeia dois casais. Mas Drave não morreu, ficou a sua história, as suas casas, as suas lendas e a Natureza (quase) intocada. Drave continua a ser usada pelos escuteiros que adoptaram a aldeia. As construções da aldeia mantém-se preservadas e estão a ser recuperadas mantendo a sua arquitectura tradicional e a identidade da aldeia.

Existem outros exemplos de localidades marcadas pelo abandono ou pelo isolamento em Portugal, mas Drave tornou-se uma referência precisamente por juntar elementos como o difícil acesso, a ausência de infra-estruturas, o facto de estar desabitada e o perfeito enquadramento na Natureza. Hoje, devido ao seu encanto e ao contacto com a Natureza, a aldeia tem grande procura e tem mais movimento do que quando era habitada.


Os Martins de Drave

Para além de todos os adjectivos que possam definir e classificar Drave, Drave é também um lugar de memória familiar. A aldeia foi berço da família Martins, os Martins de Drave, uma família numerosa e de origem bastante antiga. A família Martins é absolutamente central na história de Drave.

Há registos documentais confirmados da presença da família Martins em Drave desde o ano 1700. A genealogia conhecida recua a Francisco Martins I (século XVIII), de quem pouco se sabe.

Existe também referência a um casal Francisco e Maria Martins, já estabelecido na aldeia no século XVIII, consolidando a presença da família em Drave. Sobre Francisco Martins sabe-se que teve dez filhos, que foi o grande impulsionador da aldeia e que teve um papel crucial na manutenção do lugar e no desenvolvimento de Drave, ajudando a construir grande parte da aldeia.

Durante o século XIX, Manuel Martins (filho de Francisco) manda abrir um caminho de carro (de bois) que possibilitasse ligar Drave à localidade mais próxima (Regoufe) e com o território a sul da aldeia. Ainda hoje, é possível observar, gravado nas lajes de pedra, o sulco deixado pelos rodados dos carros de bois que, durante muitos anos, percorreram aquele caminho – cicatrizes de outros tempos que ficaram gravadas na pedra. É também por esta altura que Manuel Martins constrói o Solar dos Martins, a casa da adega e a capela de Nossa Senhora da Saúde (mandada edificar em 1851).

Já no século XX (1946), o padre João Nepomuceno de Almeida Martins promove o primeiro encontro dos Martins de Drave. A reunião familiar, na altura, juntou cerca de 600 descendentes na aldeia.

Durante cerca de 300 anos a família Martins manteve presença contínua em Drave, o que corresponde, aproximadamente, de oito a dez gerações.

Ao longo das várias gerações a família Martins marcou profundamente a vida na aldeia, tendo tido um papel crucial na construção das casas, no crescimento e desenvolvimento da aldeia e na sua organização social.

Com o declínio económico e o isolamento da aldeia a família começou a dispersar-se por várias regiões como: Arouca, São Pedro do Sul, Vouzela, Viseu, Porto e Lisboa. Alguns dos seus elementos partiram para o Brasil e para o continente africano.

No início dos anos 90 apenas existiam quatro habitantes na aldeia. Em 1991, dá-se a saída de um dos casais (António e Albertina Martins), tendo ficado a residir na aldeia o senhor Joaquim e a dona Aninhas. A dona Aninhas faleceu em 1999 e o senhor Joaquim, já com uma idade avançada, no ano 2000, viu-se forçado a abandonar a aldeia e ir viver para Regoufe onde viria a falecer nos inícios de 2005. O senhor Joaquim Martins foi o último habitante de Drave.

Apesar da saída da aldeia, a família mantém fortes ligações com Drave fazendo reuniões familiares na aldeia, de dois em dois anos, a 15 de Agosto, dia da festa em hora à Senhora da Saúde.


Os escuteiros adoptaram a aldeia e vieram dar uma segunda vida a Drave
Os escuteiros adoptaram a aldeia e vieram dar uma segunda vida a Drave

A segunda vida de Drave

Drave está desabitada, mas nunca foi verdadeiramente abandonada. Desde os anos 90, os escuteiros adoptaram a aldeia e deram-lhe uma segunda vida – mais silenciosa, mas igualmente real. Não estranhe, por isso, encontrá-los por lá, especialmente ao fim de semana, já que há equipas que zelam regularmente pelo espaço e que o mantêm vivo.

Apesar de já não ter habitantes permanentes há quase 30 anos, Drave ganhou uma segunda vida, com a recuperação de casas, com a manutenção do espaço e, acima de tudo, com a presença humana de forma regular. Efectivamente, apesar de desabitada, Drave nunca teve tanta vida como hoje. E é, precisamente, a busca desse isolamento e do contacto com a Natureza no seu estado puro que traz muita gente a Drave.

A ligação dos escuteiros com Drave remonta aos anos 90 do século passado quando começaram a usar a aldeia como espaço de formação e de experiência comunitária. Em 1992, realizam a actividade “Rumos da Consciência” e, em 1993, “Rumos do Homem Novo”. Em 2001, já com a aldeia desabitada, realiza-se o “Rover 2001”, actividade que dá início à reconstrução da aldeia. Em 2003 o Corpo Nacional de Escutas abriu em Drave a sua Base Nacional da IV Secção, o Drave Scout Centre, um centro para caminheiros (escuteiros entre os 18 e os 22 anos).

Ao longo destes anos os escuteiros adquiriram algumas casas e alguns terrenos na aldeia e têm contribuído para a manutenção e recuperação de alguns edifícios bem como do espaço envolvente, garantindo que o local se mantém cuidado e fiel à sua traça original.

O Drave Scout Centre recebe, anualmente, milhares de caminheiros portugueses e estrangeiros, que colaboram na reconstrução e manutenção da aldeia. O Drave Scout Centre é já uma referência mundial e foi distinguido, em 2012, com o selo SCENES de excelência (Scout Centres of Excellence for Nature and Environment – Centros Escutistas de Excelência para a Natureza e o Ambiente), o único reconhecimento deste tipo na Península Ibérica, num total de 13 centros escutistas mundiais.


Lenda ou realidade?

Como qualquer localidade, também Drave tem as suas lendas. Conta-se que Drave, pela sua geografia e pelo difícil acesso, terá, em tempos, servido como abrigo de “bandidos” fugidos à justiça. Esta é uma teoria comum a muitas terras isoladas que têm histórias semelhantes, muitas vezes ligadas a contrabandistas, desertores ou pequenos criminosos.

Efectivamente, na região, parece haver uma tradição oral que faz referência ao facto de Drave ter servido de abrigo a foragidos da lei mas, na realidade, não existe qualquer registo que comprove esta teoria. Uma história que se terá desenvolvido e enraizado mais devido ao isolamento da aldeia do que a factos históricos. O mito cresce onde a história não fala…

Por aqui também se contavam histórias fantasiosas que diziam que na ribeira que atravessa a aldeia, numa cascata de águas cristalinas, fadas se banhavam em noites de luar e que, entre clareiras e árvores de fruto, existem mesas de pedra que ali foram deixadas para um banquete que nunca se realizou. Ou a história da “verdadeira” origem de Drave: D. Francisco, o Primeiro, fugia de perigos e inimigos desconhecidos e embrenhou-se nas serras em busca de paz. Sozinho, construiu as primeiras casas com as pedras que a montanha lhe ofereceu. Mas farto de estar sozinho desceu a Covelo de Paivó, onde se apaixonou por uma rapariga. Quis trazê-la consigo, mas os irmãos da moça tentaram impedi-lo. D. Francisco, mestre no Jogo do Pau (a arte guerreira dos pastores e viajantes), venceu os irmãos da moça e, assim, conquistou a mão da jovem e, com ela, regressou ao vale escondido. Tiveram filhos, trabalharam a terra, e pedra sobre pedra fundaram a aldeia de Drave.

Mais sombria é a “Lenda de Carlitos”, o fantasma de uma criança que assombra a aldeia, com relatos de vozes em agonia. Conta-se que Carlitos era uma criança adotada na aldeia. Um dia, enquanto ajudava o pai, uma árvore caiu-lhe sobre a perna. Devido à falta de assistência médica, o pai foi forçado a amputar a perna, resultando na morte da criança. Diz a lenda que o espírito de Carlitos permanece na aldeia à procura de um corpo. O folclore local refere que ainda se podem ver vestígios do sangue de Carlitos nas pedras junto à ribeira de Palhais e que os escuteiros relatam ouvir vozes infantis em agonia por volta as 15h30, alegadamente a hora que Carlitos morreu...



Drave está desabitada há quase 30 anos, mas continua viva e com mais movimento do que quando era habitada
Drave está desabitada há quase 30 anos, mas continua viva e com mais movimento do que quando era habitada

A “Aldeia Mágica”

Drave pode estar desabitada permanentemente há quase 30 anos, mas é estimada e elogiada por todos aqueles que fazem das caminhadas e dos percursos pedestres uma paixão.

A designação "Aldeia Mágica" nunca foi oficial, mas instalou-se naturalmente no imaginário colectivo e tornou-se, com o tempo, parte da identidade do lugar. O termo terá nascido da soma de muitas coisas – nenhuma delas suficiente sozinha, mas juntas criadoras de algo difícil de nomear. A paisagem preservada, o xisto das casas, o murmúrio da ribeira, o isolamento, o silêncio que parece ter textura – tudo isto contribui para um lugar que escapa às categorias habituais. O resto, esse encanto particular que a palavra "mágica" tenta capturar, só se entende quando se está lá. Uma coisa é certa: Drave é apaixonante e mágica.


As lagoas de água cristalina são um dos atractivos de Drave
As lagoas de água cristalina são um dos atractivos de Drave

Chegue sem pressas, abra os sentidos e deixe que o lugar o surpreenda. Deixe que o canto harmonioso dos pássaros dite o ritmo, que o ar limpo da serra entre fundo nos pulmões. Sinta esta Natureza intocada e deixe-se enfeitiçar pelos encantos de Drave. Estou certo que não vai demorar a perceber porque é que esta aldeia é “mágica”. A magia percebe-se, não se explica.


O sentimento

Drave é um sítio para se sentir! Ir a Drave – porque é disso mesmo que se trata, vai-se a Drave, não se passa por Drave – exige uma caminhada de quatro quilómetros que funciona como ritual de chegada: um afunilamento gradual do ruído até ao silêncio, do ritmo acelerado até à quietude. O caminho não é muito exigente, mas requer algum fôlego e, acima de tudo, vontade de contactar com a Natureza, conhecer outras realidades, interiorizar os nossos pensamentos e sentimentos e ganhar forças. Ir a Drave é uma experiência única, marcada pelo afastamento com o Mundo actual, é intimidade com a natureza e com a paisagem, é um acto de espiritualidade e de recolhimento.

É um lugar onde o mundo moderno não chegou e onde, por isso mesmo, encontramos uma versão mais simples e mais verdadeira de nós próprios. A “magia” de Drave vem precisamente disso: não do que tem, mas do que lhe falta.


Drave é um dos lugares mais singulares e pitorescos de Portugal
Drave é um dos lugares mais singulares e pitorescos de Portugal

Numa das vertentes montanhosas da serra da Freita, no concelho de Arouca, (ainda) há uma pequena aldeia parada num tempo longínquo. Sem electricidade, sem água canalizada, sem rede de comunicações – e sem nenhuma das presas que nos consomem o dia. É um paraíso perdido na montanha que, paradoxalmente, se torna mais vivo quanto mais silencioso está.

Drave mantém-se como um dos lugares mais singulares e pitorescos da serra da Freita, de Arouca e mesmo de Portugal. Drave é uma experiência única. Uma experiência que vai muito para além de visitar e conhecer uma das aldeias mais isoladas de Portugal. É o contacto com a Natureza pura, a contemplação, o silêncio, a interiorização e a meditação.

Drave é um dos meus locais de eleição. Um sítio a que regresso todos os anos e que, cada vez que visito, me devolve qualquer coisa que o quotidiano foi levando. Não sei bem o quê. Mas em Drave percebe-se. A magia não se explica, sente-se.


 
 
  • Foto do escritor: João Pais
    João Pais
  • 1 de abr.
  • 4 min de leitura
Santuário Bom Jesus das Mós, em Terras de Bouro
Santuário Bom Jesus das Mós, em Terras de Bouro

Há um miradouro secreto em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês. Um tesouro escondido no concelho de Terras de Bouro. Um local de grande beleza, um local de fé, história e com uma panorâmica única.


Em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, junto à pequena aldeia de Carvalheira, no concelho de Terras de Bouro, encontramos um local de grande beleza e pouco conhecido. Numa pequena elevação (666 metros de altitude) ergue-se um dos locais mais curiosos e inspiradores da região: o Santuário do Bom Jesus das Mós.

A ocupação e a edificação de construções religiosas no cimo dos montes (e em lugares deslumbrantes) é uma prática secular, com ancestralidade pagã, portanto, muito anterior ao Cristianismo. O topo dos montes são lugares estratégicos e de defesa. São lugares de grande simbolismo (aproximação ao céu), considerados pontos fortes e protectores e locais ideais para o isolamento e para a oração.


Santuário Bom Jesus das Mós com a imagem  do Sagrado Coração de Jesus erguida sobre enormes penedos
A imagem do Sagrado Coração de Jesus está erguida sobre uns enormes penedos num local de rara beleza

O Santuário do Bom Jesus das Mós combina história religiosa, identidade local e uma paisagem natural impressionante, fazendo deste ponto um destino imperdível para quem visita o Gerês. O santuário está situado no topo do Monte das Mós (também conhecido como Alto da Carvalheira), entre a serra Amarela e a serra do Gerês, numa pequena colina que domina o vale do rio Homem e do ribeiro da Roda. A partir daqui, a vista chega até às aldeias vizinhas e, em dias claros, o olhar pode alcançar o mar em Viana do Castelo bem como o monte de Santa Luzia a mais de 50 quilómetros de distância. Este ponto privilegiado oferece uma panorâmica que convida à contemplação da beleza da natureza que caracteriza esta região do norte de Portugal. Um local com uma envolvente natural fantástica, onde impera o silêncio.


O Santuário Bom Jesus das Mós dispõe de um moderno miradouro em metal e vidro com uma panorâmica sobre o vale
O local dispõe de um moderno miradouro em metal e vidro com uma panorâmica sobre o vale

Para além do santuário, o Monte das Mós é um local de vistas desafogadas com diversos locais naturais para observar a paisagem envolvente. Durante a década de 2010-2020, num arranjo com vista à melhoria do espaço junto ao santuário, foi construído um moderno miradouro. Trata-se de uma estrutura em metal e vidro que “desafia o vazio”, oferecendo uma melhor panorâmica sobre todo o vale.

A construção do Santuário do Bom Jesus das Mós deveu-se à iniciativa e empenho do padre Manuel José Martins Capela (1842-1925), um sacerdote natural de Carvalheira e profundamente devoto ao Sagrado Coração de Jesus, que mobilizou a população local para o seu projecto. Martins Capela idealizou um santuário que soube tirar partido da beleza e da mística do Monte das Mós sem ferir a paisagem. Este é um lugar com uma magia própria, onde o sagrado não se impõe, mas funde-se com a Natureza. O padre teve a ajuda do engenheiro João Teixeira da Silva que projectou o monumento idealizado por si.


Imagem do Sagrado Coração de Jesus
Imagem do Sagrado Coração de Jesus

O monumento religioso está erguido sobre uns penedos num local de rara beleza e é consagrado ao Sagrado Coração de Jesus. É uma construção que faz lembrar uma torre de menagem de um castelo roqueiro medieval. No topo da torre está uma escultura realizada pelo mestre bracarense Teixeira. A obra está esculpida num bloco único de mármore, vindo de Montelavar (Sintra). A construção do Santuário do Bom Jesus das Mós começou em 1902 e foi concluída em 1912, tendo o monumento inauguração oficial a 13 de Julho de 1913 com uma grande peregrinação e bênção do Papa Pio X.

Como curiosidade, refira-se que a estátua do Sagrado Coração de Jesus que encima o monumento, foi transportada desde a cidade de Braga pela antiga via romana (Geira) durante quatro dias, tendo sido um momento bastante marcante e demonstrativo do esforço comunitário e da fé popular daquela época.

Este monumento foi o primeiro a ser erguido no Monte das Mós, mas não é a única edificação religiosa existente no Monte. Ao longo dos tempos, distribuídas pela encosta do Monte das Mós, foram construídas mais algumas obras de cariz religioso, como a Capela de Nossa Senhora da Soledade, a Capela do Imaculado Coração de Maria e a Via Sacra, esta última já nos anos 80. Ao longo das décadas, o Bom Jesus das Mós tornou-se um centro de fé para as comunidades locais e arredores. O culto ao Sagrado Coração de Jesus cresceu de tal maneira que chegou a ser uma das maiores festividades religiosas do concelho de Terras de Bouro, logo a seguir à romaria de São Bento da Porta Aberta. Na década de 70 do século passado a importância religiosa do santuário decaiu muito e, hoje, existe uma celebração no mês de Junho, quando se realizam peregrinações até ao santuário.


Ao longo dos tempos foram construídas mais algumas obras de cariz religioso distribuídas pelo Monte das Mós
Ao longo dos tempos foram construídas mais algumas obras de cariz religioso distribuídas pelo Monte das Mós

O santuário integra-se num cenário de grande valor natural. A zona é rica em verdes, bosques e caminhos rurais, fazendo parte do PR15 de Terras de Bouro – Trilho do Bom Jesus do Monte das Mós, um percurso pedestre muito interessante que combina natureza, cultura e património, ideal para caminhadas tranquilas em contacto com o ambiente envolvente. Este trilho circular, com cerca de 12 quilómetros, que passa pelas localidades de Carvalheira, Covide, Veiga de São João, Campo do Gerês e ainda pela margem esquerda da albufeira de Vilarinho das Furnas e pelo Centro Interpretativo do Garrano. Uma excelente caminhada tranquila para iniciar a descoberta dos trilhos do Gerês e desfrutar de toda a sua beleza.


O Santuário Bom Jesus das Mós é um local com uma paisagem natural impressionante
O Santuário Bom Jesus das Mós é um local com uma paisagem natural impressionante

O Santuário do Bom Jesus das Mós, no concelho de Terras de Bouro é um miradouro secreto de grande beleza, o local ideal para se partir à descoberta do Parque Nacional da Peneda-Gerês.


Coordenadas GPS:

N 41º44.86716’ W 8º13.80834’

41.747786 -8,230139

 
 
  • Foto do escritor: João Pais
    João Pais
  • 13 de nov. de 2025
  • 15 min de leitura
Ouguela

Ouguela é uma pequena localidade perdida num recanto do território nacional. É uma aldeia raiana muito próxima da linha de fronteira com Espanha que, por estas bandas, ainda se traça… Ouguela é um daqueles sítios onde não se passa a caminho de algum lado. Tem que se ir lá. E tem que ir mesmo!

Em pleno Alentejo, junto a Campo Maior, a aldeia histórica de Ouguela é um pequeno aglomerado de casas que se desenvolveu junto às muralhas da sua fortaleza. Durante séculos, Ouguela teve um papel importante na defesa do nosso território mas, hoje, é uma aldeia praticamente esquecida onde se sente uma profunda tranquilidade e onde se bebe a beleza do Alentejo raiano.


Ouguela

Ouguela, que já foi vila e sede de concelho, há muito que permanece adormecida no tempo. Entorpecida como os corpos dos viajantes, pouco habituados a este canícula alentejana que, mesmo fora de época, teima em entorpecer quem por aqui passa, como se não fosse suficiente a beleza e o sossego da planície.

Ouguela é uma aldeia histórica da raia, bem perto de Campo Maior. Aliás, não dista mais do que sete ou oito quilómetros dos limites desta vila alentejana. A localidade conta com um pequeno aglomerado de casas que se desenvolveu junto às muralhas da sua fortaleza. São algumas dezenas de casas, a grande maioria agrupadas em torno de quatro ruas estreitas.

Depois de ter tido um papel importante na nossa História e na defesa do nosso território, Ouguela é uma aldeia praticamente abandonada onde vivem pouco mais de meia centena de pessoas. A aldeia e o seu castelo (apesar das obras de restauro e requalificação) já viram melhores dias. Ouguela é um local isolado, silencioso, onde não se vê vivalma. Talvez nos tempos do contrabando tivesse mais vida. A aldeia fronteiriça sofre da desertificação característica das zonas do interior do país.

Mas é precisamente esta calma, este silêncio, apenas quebrado pelo cantar dos pássaros e a beleza da paisagem avistada das muralhas da fortaleza que nos fazem querer ficar mais um pouco. Talvez até ao por do sol.

Ouguela visita-se relativamente rápido com uma visita ao castelo e à sua igreja paroquial “encaixada” nas muralhas da fortaleza. Mas, tendo tempo, deve dar um salto à atalaia, à fonte de águas termais e à ermida de Nossa Senhora da Enxara, que ficam ali próximo. Traga água, traga lanche, porque aqui não vai encontrar qualquer estabelecimento.


Como chegar a Ouguela

A povoação de Ouguela e o seu Castelo situam-se numa pequena elevação no meio da vasta planície alentejana a norte da vila de Campo Maior, já a pouca distância da fronteira com o país vizinho.

O acesso a Ouguela deverá ser feito a partir da vila de Campo Maior, seguindo depois pela N373, em direcção a Espanha (Albuquerque). São cerca de sete ou oito quilómetros entre olivais e campos de cultivo. Outra alternativa (menos prática) é em Degolados sair da N371, no cruzamento dos semáforos, e seguir por uma estrada secundária de acesso a zonas de cultivo, montes e herdades (são cerca de 15 quilómetros).


Ouguela
Interior do Castelo de Ouguela

A Origem de Ouguela

Calcula-se que a primitiva ocupação de Ouguela remonte à proto-história, onde aqui terá existido um castro pré-romano que, depois, terá sido ocupado pelos Romanos, como o comprovam os diversos vestígios existentes na região. A partir do século V, o povoado foi ocupado pelos Visigodos e, a partir do século VIII, pelos Muçulmanos, que aqui terão construído uma fortaleza. Em 1230 dá-se a conquista definitiva aos mouros pelas tropas de Castela e de Leão e, a partir de 1297, Ouguela passou a fazer parte da coroa portuguesa devido à assinatura do Tratado de Alcanizes.


O topónimo Ouguela

Na altura da ocupação romana o povoado onde hoje se situa Ouguela chamava-se “Budua” ou “Budunua” e, mais tarde com a ocupação visigótica passou a chamar-se “Niguela”, nome que viria a ser mantido pelos Muçulmanos. A actual denominação Ouguela poderá ter origem na palavra latina aquella, que queria dizer “aguazinha”.


Ouguela
Castelo de Ouguela

A história de Ouguela

Com a Reconquista Cristã da Península Ibérica, Ouguela passou a fazer parte do reino de Leão e Castela, passando, posteriormente, a pertencer a Portugal a partir do Tratado de Alcanizes. Ouguela desempenhou um papel importante ao longo da história, tendo sido, durante séculos, uma das praças fortes que defendia o Alto Alentejo integrando a primeira linha de defesa da raia alentejana, juntamente com as fortificações de Elvas, Campo Maior, Olivença e Juromenha.

Ouguela foi definitivamente conquistada aos mouros em 1230 pelos castelhanos. Com a assinatura do Tratado de Alcanizes (1297), no reinado de D. Dinis, Ouguela, Campo Maior e Olivença passam a pertencer à coroa portuguesa. D. Dinis manda então reedificar o seu castelo que estava em muito mau estado e atribui Foral à vila em 1298 (renovado, depois, por D. Manuel, em 1512). Entre 1367 e 1385 dá-se a a ampliação da cerca muralhada e a edificação da primitiva igreja, que se situava no centro da praça.

Durante séculos, Ouguela foi uma das praças fortes que defendia o Alto Alentejo das invasões castelhanas tendo sido cercada por diversas ocasiões: durante a crise de 1383-85; mais tarde, em 1475, foi atacada pelos castelhanos, ataque que terminou num duelo entre João da Silva, camareiro-mor do príncipe D. João II e alcaide de Ouguela e João Fernandes Galindo, alcaide-mor de Albuquerque (localidade vizinha do outro lado da fronteira); durante a Guerra da Restauração (em 1642) e durante a Guerra da Sucessão de Espanha (em 1709). Ouguela chegou mesmo a ser ocupada pelos castelhanos, em 1662, ainda no decorrer da Guerra da Restauração e, em 1801, na Guerra das Laranjas.

Durante o século XVII dá-se o início da construção da fortaleza abaluartada, e já se encontravam construídas a casa da Câmara e as casas dos oficiais e das famílias dos militares. No século XVIII é construída a igreja de Nossa Senhora da Graça e as casas de governação da praça.

Já no século XIX, a área Oeste do castelo passa a funcionar como cemitério da povoação.

Ouguela foi vila e sede de concelho até 1836, passando depois, a integrar o território de Campo Maior.


Ouguela
A planície vista das muralhas do Castelo de Ouguela

Ouguela nunca foi um grande povoado, mas nos seus tempos áureos terá tido mais de 600 habitantes. Hoje, deve contar com pouco mais de meia centena. Com o fim das praças militares, Ouguela perdeu relevância e entrou em decadência. Em 1840 a praça forte de Ouguela foi desmilitarizada e daí para cá a localidade tem sido vítima do abandono e do esquecimento. Apesar do isolamento e do abandono, as muralhas do seu castelo teimam em permanecer de pé, elevando-se e permanecendo de sentinela na pacatez e na beleza da planície.

Em finais do século XIX, Ouguela esteve quase a desaparecer, tendo o seu desaparecimento sido evitado por um filantropo que se interessou pela localidade, aplicando os seus recursos financeiros e a sua influência a favor de Ouguela e dos seus habitantes. Chamava-se Carlos Ramiro Coutinho (mais tarde Visconde de Ouguela), era licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, reconhecido como um dos mais notáveis advogados de Lisboa, deputado e íntimo da família real e de relação próxima com o rei D. Luís.


Ouguela e a fronteira nacional

Ouguela passou a ser portuguesa durante o reinado de D. Dinis, em 1297, pelo Tratado de Alcanizes (celebrado entre D. Dinis e Fernando IV de Castela), que estabeleceu a primeira demarcação da linha de fronteira entre Portugal e Castela. O Tratado de Alcanizes foi um acordo de definição de fronteiras que pretendia resolver vários focos de conflito entre Portugal e Castela, evitando que pequenas disputas territoriais pudessem arrastar os dois países para um conflito maior.

O Tratado de Alcanizes enumerou um conjunto de localidades entre as duas nações que foram definitivamente entregues a um e a outro lado. Entre as localidades que passavam a pertencer a Portugal estavam Campo Maior, Ouguela e Olivença. Em contrapartida, Ayamonte, Herrera de Alcântara ou Valência de Alcântara ficaram pertenças a Castela.


Ouguela
Ouguela

A fronteira entre Portugal e Espanha tem mais de sete séculos e é a mais antiga e estável fronteira da Europa, mas sabemos que a estabilidade da fronteira então definida foi mais aparente do que real. O Tratado de Alcanizes, nas suas linhas gerias, foi respeitado ao longo de mais de 700 anos mas, ao longo da História, a linha de fronteira conheceu avanços e recuos. Houve, no entanto, exceções. Uma delas é a localidade de S. Félix dos Galegos, perto de Almeida, que voltou ao domínio castelhano pouco depois da assinatura do tratado e que hoje pertence a Salamanca. Mais tarde, entre 1705 e 1715, Albuquerque (em frente a Ouguela), que é hoje um território de Badajoz, esteve sob domínio português em consequência da Guerra de Sucessão de Espanha. Existe ainda o caso de Olivença, que foi ocupada por Espanha no princípio do século XIX e que permanece um assunto por resolver desde o Congresso de Viena, em 1815. Portugal nunca reconheceu formalmente a ocupação espanhola. Estas são algumas das excepções que ocorreram ao longo da fronteira entre Portugal e Espanha que, no entanto, nunca abalaram o valor do Tratado de Alcanizes nem a estabilidade da fronteira ao longo de mais de sete séculos de História.

Devido à “disputa” não assumida de Olivença por Portugal e Espanha, a linha de fronteira que separa os dois países ainda está interrompida entre o rio Caia, em Elvas, e a ribeira de Cuncos, em Mourão, onde ao longo de perto de cem quilómetros não foram colocados os marcos de fronteira. Inclusivamente, existe uma ponte sobre o Guadiana a ligar os dois países, a nova ponte de Ajuda, que não tem qualquer marco fronteiriço.

Até finais do século XVIII, devido à sua localização a norte do Caia e por estar numa região de vastas planícies, o castelo de Ouguela desempenhou uma importante função militar na defesa do país. Aqui, no castelo de Ouguela, começava a linha que defendia o corredor das terras banhadas pelos rios Xévora, Caia e Guadiana, e que integrava as praças militares de Campo Maior, Elvas, Juromenha e Olivença.


A importância do contrabando

Como qualquer localidade da raia, Ouguela viveu muito do contrabando: levava-se para Espanha o que lá não havia, e trazia-se para Portugal o que cá faltava. Era o modo de subsistência de muita gente.

Aqui, a linha de fronteira era isso mesmo, apenas uma linha imaginária. Para os contrabandistas de Ouguela, bem como de toda a raia, não existiam fronteiras – aqui devido à planura do território, ainda menos dificuldades se punham. Aproveitando a noite, percorriam os caminhos mais escuros por entre silvados e choupos, atravessavam rios e ribeiras onde a altura e a força da água o permitiam, tentando cortar caminho entre os dois países nesta vasta planície que se avista desde as muralhas do castelo. A cavalo ou a pé, os contrabandistas conheciam bem o terreno e os caminhos para conseguir fintar os guardas durante a calada da noite.


Ouguela
A fronteira é apenas uma linha imaginária. Espanha fica logo ali, a poucos metros de distância.

Os contrabandistas levavam e traziam as mercadorias (café, bananas, bacalhau) às costas durante a noite durante horas a fio, ou “passavam” pessoas que, por este ou por aquele motivo, pretendiam deixar o país – para procurar uma vida melhor, fugir à justiça ou mesmo fugir da guerra.

Com o “fim das fronteiras” e do controlo fronteiriço de pessoas e mercadorias, acaba-se o contrabando e a passagem de pessoas “a salto”. É o fim de uma era, mais ou menos próspera, para as povoações raianas. Vem a emigração e a debanda para o litoral, o anunciado declínio de Ouguela, com o fim das praças fortes fronteiriças, ficou ainda mais notório. E é isso que vemos hoje, quando visitamos Ouguela, uma localidade quase fantasma, onde quase não se vê ninguém.

Para além de ter ajudado muita gente, ter dado origem as muitas histórias (e a algumas lendas), é importante manter viva a memória desta actividade. A memória do contrabando é fundamental para a compreensão da história e da identidade de muitas localidades raianas.


Lendas de Ouguela

Também em Ouguela existem algumas lendas. Uma delas conhecida pela lenda do tamborzinho, terá tido origem no século XVIII. Conta-se que quando Ouguela esteve cercada durante uma guerra, e não sendo possível pedir socorro a Campo Maior, uma criança terá descido por uma figueira que existiu junto à muralha, transportando uma bandeira, uma mensagem escrita e o tamborzinho com que costumava brincar. Não tendo levantado suspeitas no campo espanhol, a criança ultrapassou as linhas inimigas e chegou a Campo Maior, entregando a mensagem.

Há uma outra lenda que se confunde com a realidade e conta-nos a ventura de uma heroína popular, Isabel Pereira, natural de Ouguela. Segundo a lenda, durante a Guerra da Restauração, Isabel Pereira terá ajudado com valentia no combate com os castelhanos. Conta-se que a mulher, no meio das trincheiras do campo de batalha, distribuiu pólvora e balas aos soldados portugueses. Ficando ferida, não parou e prosseguiu com a sua ajuda até ao fim da batalha, o que terminou com a vitória portuguesa.


Ouguela
Ouguela

O que visitar em Ouguela

A povoação de Ouguela implanta-se sobre uma pequena elevação na vasta planície alentejana, perto do local onde a ribeira de Abrilongo desagua no rio Xévora. O povoado, perto de Campo Maior, é pequeno mas tem alguns pontos de interesse, por isso merece uma visita. Hoje, a localidade conta com um pequeno aglomerado de casas brancas que se desenvolveu junto à fortaleza, mas ainda conserva algumas construções dos séculos XVII e XVIII no interior das muralhas. Para além do seu Castelo medieval e das posteriores fortificações abaluartadas, há que visitar a Casa do Governador, a cisterna, a igreja de Nossa Senhora da Graça e a ermida de Nossa Senhora da Enxara, ali bem perto.


Ouguela
Castelo de Ouguela

Castelo de Ouguela

O Castelo de Ouguela ergue-se numa pequena elevação no meio da imensa planície alentejana, junto à linha de fronteira com Espanha. Muito provavelmente, o Castelo terá sido construído sobre um antigo castro ocupado pelos romanos. O Castelo de Ouguela teve um papel importante na defesa do território nacional, fazendo parte da primeira linha de defesa do Alto Alentejo, juntamente com as fortificações de Campo Maior, Elvas, Olivença e Juromenha.

O Castelo de Ouguela é de origem medieval mas terá sido muito transformado pelas obras setecentistas que lhe deram o aspecto actual.


Ouguela
Ouguela, Casa do Governador

O Castelo medieval apresenta-se protegido por uma fortaleza de planta poligonal irregular com muralhas, cubelos e torreões. Estas linhas defensivas foram construídas a mando de D. João IV, aquando da Restauração da Independência portuguesa, no século XVII. A toda a volta do Castelo existe um fosso e caminho de ronda. A entrada no Castelo faz-se por uma bela porta constituída por duas torres. A muralha é percorrida por adarve, com muretes de protecção de ambos os lados. No interior do recinto muralhado, destacam-se a torre de menagem e algumas construções, entre elas a Casa do Governador (um imponente edifício do século XVIII, entretanto recuperado e a funcionar como posto turístico). Adossadas às muralhas ainda se conservam algumas construções dos séculos XVII e XVII, provavelmente, os antigos quartéis e as habitações dos familiares dos militares. O Castelo de Ouguela possui uma imponente cisterna quadrangular com 12 metros de lado, que se encontra encerrada por um portão.

Vale a pena uma visita mais ou menos demorada ao Castelo de Ouguela, subir às suas muralhas e contemplar e apreciar o sossego e a bonita paisagem da planície alentejana. Da muralha, por cima da porta de armas avista-se, do lado espanhol, a fortificação de Albuquerque (Badajoz) que dista cerca de 15 quilómetros em linha recta.


Ouguela
Igreja de Ouguela, Igreja de Nossa Senhora da Graça

Igreja de Ouguela

A igreja paroquial de Ouguela, igreja de Nossa Senhora da Graça, é um templo do século XVIII, de arquitectura barroca, bastante simples, de nave única e cobertura em abóbada. O templo encontra-se adossado ao Castelo, tendo a sua fachada principal ladeada por panos da muralha. A sala do trono apresenta cobertura em abóbada de berço e está integralmente revestida com belas pinturas murais setecentistas. Infelizmente, encontrava-se fechada aquando da minha visita.


Fonte de Nossa Senhora da Graça

Na encosta voltada a Norte, entre terrenos de cultivo e pastos, existe uma fonte de águas termais, com indicações para o tratamento de patologias do aparelho digestivo. A Fonte será do século XVII e apresentava um painel de azulejos do século XVIII, invocando Nossa Senhora da Graça. Recentemente a Fonte de Nossa Senhora da Graça sofreu obras de restauro.


Atalaia de São Pedro

O sistema defensivo de Ouguela era complementado por diversos postos avançados, pequenas torres de vigia que podiam alertar a fortaleza em caso de perigo iminente ou de tropas inimigas: as chamadas atalaias. Para além da Atalaia de São Pedro, havia a Atalaia do Gato (situada na chamada serra do Gato) com contacto visual com as Atalaias da Contenda, da Cabeça Gorda e com a praça de Ouguela. Hoje, todas elas desapareceram, restando a Atalaia de São Pedro.

A Atalaia de São Pedro é uma pequena torre de vigia, no meio de um olival e, possivelmente terá sido construída na segunda metade do século XVII. É uma construção quadrangular, ligeiramente afunilada em altura, com teto abobadado e uma pequena guarita.

Há quem defenda a tese de que esta construção militar nem sempre teve uma utilização defensiva. Com o fim da importância militar da praça forte de Ouguela, a Atalaia de São Pedro poderá ter sido adaptada para servir como local de culto, podendo ter sido a Ermida de São Pedro referida em alguns documentos.

A Atalaia de São Pedro, encontra-se a cerca de um quilómetro do Castelo de Ouguela e pode ser visitada seguindo a estrada de terra à direita, após o aglomerado de casas de Ouguela. Em alternativa, se tiver tempo, pode fazer o PR1 de Campo Maior (com início ao pé da escola primária), com cerca de seis quilómetros que o levará até à Atalaia.


Ermida de Nossa Senhoras da Enxara

A poucos quilómetros de Ouguela, junto ao rio Xévora, fica a Ermida de Nossa Senhora da Enxara. O templo primitivo terá sido construído no século XIV, mas o edifício foi muito alterado ao longo dos séculos com obras no século XVIII, que lhe conferiu um estilo Rococó e, posteriormente, já durante o século XX. A Ermida apresenta um interior simples com estuques pintados em azul claro e pormenores dourados.

Este é um local de forte devoção e peregrinação, principalmente durante o período pascal. Os peregrinos chegam, normalmente, na sexta-feira Santa e acampam dois ou três dias, regressando apenas na segunda-feira. A festa inclui missas, procissão campal, touradas e outros divertimentos, mas o ponto alto é a procissão com a imagem de Nossa Senhora da Enxara a ser transportada da igreja de Ouguela para a Ermida na quinta-feira Santa, e a regressar na segunda-feira a seguir à Páscoa.

A Ermida de Nossa Senhora da Enxara está associada a uma lenda que nos conta que certo dia uma menina estaria a brincar, enquanto a sua mãe estava a lavar roupa no rio. Quando a menina se afastou da sua mãe, terá encontrado uma senhora que lhe ofereceu um brinco. Quando voltou para junto da mãe, mostrou-lhe o brinco, e ambas foram ao local onde a filha disse ter encontrado a senhora. Quando lá chegaram, viram uma imagem de Nossa Senhora numa pedra redonda (esta pedra está, actualmente, na Ermida). A notícia chegou rapidamente aos ouvidos da população, que acorreu ao local onde tinha sido encontrada a imagem. Esta foi trazida para a vila, e decidiram erguer uma ermida, a meio caminho entre o local do achado e a vila, na margem direita do rio. No entanto, todas as manhãs a imagem desaparecia, surgindo no local onde tinha sido achada. Deste modo, a população decidiu que aquele deveria ser o local para a nova ermida.


Ouguela
Ouguela

Como eu gosto e faço questão de divulgar, aqui no blog Linha de Terra, Ouguela é mais uma daquelas localidades que não aparecem nos principais roteiros turísticos. E, neste caso concreto, é pena! Ouguela, pelo seu património, pelo seu passado e pela sua história merecia mais. Quem estiver pelo interior alentejano deve vir a Campo Maior e visitar esta pequena localidade raiana a poucos metros da linha de fronteira, visitar os seus monumentos, admirar a sua paisagem e conhecer um pouco da sua história. Um pouco da História do nosso país.

Perto de Campo Maior, “perdida” num recanto alentejano junto à fronteira com Espanha, Ouguela permanece esquecida no tempo, definhando numa lenta agonia que se arrasta há mais de um século. Ouguela teve um papel importante na defesa do nosso território mas, hoje, é uma aldeia praticamente esquecida onde se sente uma profunda tranquilidade. Ouguela é calma, é sossego e, apesar do seu castelo e do seu passado, é paz. Ouguela tem um encanto muito próprio. É muito relaxante admirar a quietude deste lugar e a beleza da paisagem alentejana do alto da muralha do seu castelo. Apetece ficar lá em cima a contemplar a planície e, quem sabe, ficar até ao por do sol.



Ali perto…

Perto de Ouguela existem alguns locais de relevo e que merecem uma visita. Destaco, obviamente Campo Maior, que é mesmo ali ao lado e a vila de Arronches. Não podia deixar de fazer uma referência ao excelente museu/centro de ciência da Delta: o moderno e atractivo Centro de Ciência do Café,


Campo Maior
Campo Maior

Campo Maior

A vila de Campo Maior fica mesmo ali ao lado. Por isso, é de equacionar uma visita a esta bela vila raiana. Campo Maior é conhecida pelas Festas do Povo, que transformam as ruas com flores de papel feitas à mão. Estas Festas não se realizam regularmente, mas sim quando o povo entende. As últimas Festas do Povo realizaram-se em 2015. As próximas, já têm data marcada entre 8 e 16 de Agosto de 2026. As Festas do Povo de Campo Maior estão classificadas como Património Cultural Imaterial da Humanidade desde 2021.

Passeie pela vila e visite o Castelo de Campo Maior, que oferece uma bela panorâmica sobre a vila, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Expectação e a Capela dos Ossos, o Convento de Santo António, o Mosteiro da Imaculada Conceição, a Igreja da Misericórdia, o jardim municipal, a estátua do Comendador Rui Nabeiro e os diversos núcleos museológicos.


Arronches
Arronches

Arronches

A “forte Arronches” como lhe chamou Camões, no Canto III de “Os Lusíadas”, é uma vila alentejana a cerca de 30 quilómetros de Ouguela. Uma vila cheia de história que mantém visíveis alguns dos traços mais antigos. Arronches foi importante na Reconquista Cristã do Alentejo (século XIII) e, mais tarde, na Guerra da Restauração (século XVII). Passeie pela vila e aprecie o casario alentejano, as janelas manuelinas, os balcões barrocos e os vários núcleos museológicos.

Visite o Convento de Nossa Senhora da Luz, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, a Igreja da Misericórdia, a Torre de Menagem (única sobrevivente do castelo), a Fonte do Vassalo, a Fonte de Neptuno e a Fonte de Elvas. Não deixe de visitar o Museu de (a)Brincar no espaço da antiga fortaleza, que conta com um acervo variado, fruto de doações de particulares e aquisições feitas pela autarquia. Termine o dia a passear pelo passadiço fluvial, na margem do rio Caia.



Centro de Ciência do Café
Visita ao Centro de Ciência do Café, em Campo Maior

Centro de Ciência do Café

O Centro de Ciência do Café é um espaço que pretende dar conhecer as temáticas relacionadas com o café, nomeadamente a história da indústria da torrefação no concelho de Campo Maior, desde os tempos do contrabando até à atualidade.

Propriedade da empresa Delta Cafés, o museu mostra ao visitante todo o ciclo do grão do café, desde a plantação em terras longínquas, passando pela fase de torrefação, até ser bebido na chávena. Além disso, conhece-se também a história da Delta e do seu fundador, o Comendador Rui Nabeiro.

O Centro de Ciência do Café é um espaço moderno e atractivo que alia conhecimento, divulgação técnica e científica e atividades interativas ligadas ao universo e à cultura do café. Uma visita que não deves perder na tua visita ao concelho de Campo Maior. A entrada no Centro de Ciência do Café custa 10,00€ (7,00€ para crianças dos 6 aos 17 anos).


 
 
marca de agua.png

@ Linha de Terra, 2018-2025. Todos os direitos reservados.

  • Facebook
  • Instagram
  • Youtube

Siga Linha de Terra nas redes sociais.

bottom of page