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Oito anos de Linha de Terra, altura de abrir novos caminhos

Foto do escritor: João Pais
João Pais
há 7 dias
5 min de leitura
Oito anos de Linha de Terra

Há viagens que começam com um mapa aberto sobre a mesa – agora com o mapa aberto no computador, numa fotografia guardada há demasiado tempo, numa estrada que se insinua ao longe, ou numa vontade, difícil de explicar, de descobrir o que existe depois da próxima curva. O projecto Linha de Terra nasceu dessa vontade de ir e de descobrir. O projecto Linha de Terra nasceu com uma intenção simples: partir sem pressa e de olhar para Portugal com tempo, mais devagar, mais naturalmente e com os pés no chão. Queria partir por esse país fora, não apenas para o reconhecer, mas para o descobrir.


Portugal genuíno

Há oito anos dei os primeiros passos neste caminho, comecei a traçar esta linha entre mim e o território. Uma linha feita de estradas, trilhos, rios, montanhas, castelos e lugares que pediam para serem vistos com mais atenção. Desde então, este blog tem sido uma espécie de horizonte em movimento, um diário de viagem, um arquivo de memórias, um espaço de descoberta, de reflexão, de crítica e uma forma de olhar para este país maravilhoso com mais atenção. Um blog onde cabem os lugares menos óbvios, as estradas secundárias que se perdem entre montes e vales, aldeias adormecidas onde o tempo, há muito, parece ter parado, castelos com memória, praias onde o Verão parece durar mais tempo, paisagens que chamam por nós e trilhos escondidos que nos levam até ao lugar onde o mapa termina.

Gosto de lugares que não se entregam de imediato, que nos obrigam a ficar lá, a escutar, a observar e sentir. Gosto das estradas secundárias que não prometem chegar depressa a lado nenhum, mas que nos levam mais longe. É nestes lugares que encontro o Portugal genuíno. Tenho procurado lugares, mas talvez tenha procurado, sobretudo, aquilo que os lugares guardam e que têm para nos contar: a história que se esconde numa parede de pedra, o silêncio de uma aldeia quando a tarde cai, o som da água que corre por entre as rochas, uma estrada interminável que se alonga diante do carro e nos leva para longe da pressa, o rosto de quem ainda vive em lugares distantes e lhes dá alma e uma presença que nenhuma fotografia consegue retratar.

Algumas viagens nasceram de uma ideia planeada, outras começaram simplesmente com a vontade de seguir uma estrada ou fazer um desvio. Procuro encontrar e trazer aos meus leitores mais do que apenas um lugar bonito, contar os lugares sem os reduzir a uma mera lista de locais a visitar. Quero sentir o lugar. Interessa-me a História que permanece gravada nas pedras, as marcas deixadas por quem ali passou antes de nós, a relação entre a paisagem e as pessoas. Contar as viagens sem apagar os desvios. Contar Portugal através das suas paisagens, do seu património, das suas gentes e das pequenas histórias que, tantas vezes, ficam fora dos caminhos mais percorridos. Tento que cada artigo seja uma pequena viagem oferecida a quem lê. Uma tentativa de aproximar um lugar, de despertar uma curiosidade, de fazer nascer o desejo de partir, de deixar uma porta aberta para que cada leitor possa fazer a sua própria descoberta. E cada mensagem recebida, cada pessoa que me diz ter descoberto um lugar através do blog, cada comentário ou partilha lembra-me que estas histórias não ficam apenas deste lado do ecrã. Continuam caminho quando chegam a alguém.


O meu caminho

Ao longo deste período o caminho nem sempre foi fácil – e este último ano tem sido particularmente exigente entre o gerir horários, tarefas e controlar sentimentos. Manter um projecto independente durante oito anos exige tempo, disciplina e uma vontade férrea que nem sempre se revela nos dias mais cansativos. Há textos que demoram a nascer, pesquisas que se prolongam por dias, fotografias que precisam de ser escolhidas e ideias que ficam no papel a aguardar o momento certo. Mas tem sido, sobretudo, um projecto feito de gosto e de insistência, construído pouco a pouco, entre viagens, fotografias, pesquisas, textos, muitas horas diante do computador e muitas horas de sono perdidas – os meus médicos que me desculpem, mas é a única maneira que tenho para “fazer crescer” o meu dia. O blog Linha de Terra foi crescendo devagar, entre viagens, entre a vontade de querer fazer e a necessidade de esperar. Nem sempre com a regularidade desejada, nem sempre com a certeza do caminho certo, mas sempre com uma convicção: este é o caminho que eu gosto, este é o caminho que quero seguir, por isso, vale a pena continuar.

Não meço este projecto pelo número de publicações ou pelo número de seguidores, mas sim pelas descobertas que proporciona, pelas viagens que inspira, pelas pessoas que encontro e pelas relações que vou construindo pouco a pouco. O projecto Linha de Terra cresceu convosco e também graças a vós. Por isso, neste aniversário, quero agradecer-vos. A quem acompanhou o Linha de Terra desde o início, a quem o descobriu mais tarde, a quem lê em silêncio, a quem partilha, comenta, manda mensagens, sugere lugares ou simplesmente guarda uma destas viagens para um dia mais tarde. O projecto Linha de Terra também é feito dessa presença. A todos, muito obrigado. Obrigado por estarem desse lado, por acompanharem este caminho e por continuarem a descobrir Portugal comigo.


Uma nova viagem

Hoje, assinalar esta data, não representa apenas fazer uma paragem para olhar para trás, representa também o início de uma nova direcção, um novo caminho. Porque há viagens que começam muito antes da partida, quero aproveitar a ocasião para falar do que está a começar. Nos últimos tempos tenho trabalhado numa nova etapa do projecto Linha de Terra, numa nova forma de prolongar este caminho que temos vindo a percorrer. Uma forma de levar algumas das minhas ideias e algumas destas viagens para além do blog. É uma nova etapa e um novo caminho do projecto Linha de Terra, é o desenvolver de uma ideia que há muito fervilha na minha cabeça: uma nova forma de reunir estas histórias, de lhes dar espaço próprio e de as levar para lá do ecrã. O blog Linha de Terra continuará, como sempre, a percorrer Portugal e a partilhar o melhor que o nosso país tem para oferecer, (quase) sempre fora dos principais roteiros turísticos. Mas em breve, algo novo vai juntar-se a esta aventura.

O primeiro projecto já está em desenvolvimento. É uma ideia que nasce das estradas, das paisagens, e dos lugares que encontramos ao longo do caminho. Um projecto ligado a Portugal, à viagem lenta e à vontade de olhar com mais atenção para onde tantas vezes passamos depressa demais. Será um projecto de viagens, mas também de memória, de descoberta e de atenção ao território. Ainda não posso revelar todos os pormenores. O trabalho continua, entre páginas a escrever, imagens, mapas e algumas decisões finais a tomar. Mas posso dizer-vos que há novidades a caminho e que serão partilhadas muito em breve.

O que começou há oito anos como uma linha traçada no horizonte prepara-se agora para ganhar mais outra forma. Por isso, este aniversário marca não apenas oito anos de Linha de Terra, mas também o início de uma nova viagem. A estrada continua e, em breve, haverá uma nova forma de a percorrer.


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