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  • Foto do escritor: João Pais
    João Pais
  • 28 de jun. de 2024
  • 4 min de leitura
Passadiços de Vizela

Depois de tanto ter ouvido falar dos Passadiços de Vizela nos últimos meses, Linha de Terra tinha que ir conhecer esta nova atracção turística do Minho. Assim, meti pés ao caminho e tive uma bela surpresa...


Os Passadiços percorrem parte da margem do rio Vizela
Os Passadiços percorrem parte da margem do rio Vizela

Estes Passadiços, inaugurados em Março, fazem parte dum amplo programa ambiental da recuperação do rio Vizela. O programa englobou a despoluição do rio, a limpeza e o aproveitamento das suas margens que foi levado a cabo pela autarquia de Vizela, numa clara aposta na preservação do meio ambiente e no turismo de Natureza.

Estes Passadiços acompanham o curso do rio Vizela e, posteriormente, a ribeira de Sá. O seu percurso leva-nos a atravessar zonas urbanas, rurais e florestais e tem uma extensão de 5,5 quilómetros num trajecto linear entre a cidade de Vizela e uma fantástica cascata, já na freguesia de Santa Eulália.


Passadiços de Vizela, uma aposta da autarquia no turismo de Natureza
Passadiços de Vizela, uma aposta da autarquia no turismo de Natureza

Ao longo da caminhada a paisagem vai mudando, (quase) sempre agradável e com o constante som da água a acompanhar-nos até ao final onde encontramos uma bela queda de água. De referir que ao longo dos Passadiços, que têm iluminação led, foram criadas algumas zonas de sombra, várias áreas de descanso e existem casas de banho (uns paralelepípedos espelhados). Só resta saber se haveria mesmo necessidade da construção de uns passadiços.


Ponte Velha de Vizela
Ponte Velha de Vizela

Os Passadiços de Vizela têm início na margem direita do rio, junto à Ponte Velha, também conhecida popularmente por Ponte Romana. Na realidade, a actual ponte é uma reconstrução medieval que ainda conserva alguns elementos da ponte primitiva, essa sim, seria do período romano. Por aqui passava uma via romana que ligava Braga a Amarante e que passava por Guimarães.

Os Passadiços seguem por detrás do complexo termal - estas águas são conhecidas pelas suas qualidades terapêuticas desde o tempo dos romanos, tendo as primeiras instalações surgido no século XVIII -, passam por baixo da ponte D. Luís I, para desembocar no magnífico Parque das Termas. Depois de se atravessar o Parque das Termas, segue-se pela marginal ribeirinha, um agradável espaço de lazer situado na margem esquerda do rio Vizela. É no final desta marginal ribeirinha que se dá a confluência da ribeira de Sá com o rio Vizela e é aqui que retomamos os passadiços de madeira que, daqui em diante, seguem o leito da ribeira e as suas águas cristalinas. Até aqui fizemos cerca de 1300 metros.


Os Passadiços de Vizela "atravessam" a ponte D. Luís I
Os Passadiços de Vizela "atravessam" a ponte D. Luís I

Daqui para a frente iremos sempre caminhar em passadiços de madeira (com excepção para uma ou outra travessia de arruamentos). Deixámos o percurso urbano destes Passadiços para trás e vamos iniciar a sua “vertente” mais rural. Vamos atravessar terrenos de cultivo, campos e hortas, pomares e até alguns locais com gado. Vamos atravessar uma zona com alguns moinhos antigos que foram sendo construídos nas margens da ribeira e, por fim, entramos numa zona florestal onde se encontra a bonita Cascata de Rompecias, também conhecida por Cascata de Santa Eulália, ou ainda por Quedas de Água de Requeixos.


Os Passadiços de Vizela levam-nos a conhecer a Cascata de Rompecias
Os Passadiços de Vizela levam-nos a conhecer a Cascata de Rompecias

Confesso que parti à descoberta destes Passadiços de Vizela com curiosidade, mas sem grandes informações sobre o que iria ver e sem saber que terminavam numa Cascata… E era precisamente aqui que estava uma agradável e inesperada surpresa à minha espera. É no fim dos Passadiços de Vizela que se encontra a bela Cascata de Rompecias, formada por diversas quedas de água, onde o ribeiro de Sá se precipita de uma altura considerável. O local é fantástico, num enquadramento lindíssimo, digno de uma pintura. Vai querer ficar aqui um bom bocado a contemplar esta beleza cénica antes de regressar à cidade de Vizela.

A Cascata de Rompecias era, talvez, um dos segredos mais bem guardado pelos vizelenses amantes da Natureza que, agora, com os Passadiços, viram o seu segredo revelado e ao acesso facilitado de todos. Resta esperar que todos nós nos saibamos comportar, cuidar da Natureza, não deixar lixo e não saturar o local com a massificação de visitantes nesta moda infernal em que se tornou a construção de passadiços um pouco por todo o país.

Para quem não quiser fazer todo o percurso dos Passadiços de Vizela (11 quilómetros ida e volta) e queira conhecer a Cascata, pode deixar o carro cerca de 500 metros abaixo da igreja de Santa Eulália (na Rua de Vila Pouca) onde os Passadiços cruzam a estrada, e tem pouco mais de mil metros de Passadiços para percorrer até à bonita Cascata de Rompecias.

Os Passadiços de Vizela e o ribeiro de Sá
Os Passadiços de Vizela e o ribeiro de Sá

Ao longo do trajecto destes Passadiços de Vizela existem algumas zonas bastante expostas ao sol, o que poderá dificultar a progressão em dias de maior calor. Convém usar protector solar e levar bastante água já que depois que deixamos a marginal ribeirinha não existe qualquer local para adquirir ou abastecer de água (a não ser nas casas de banho).

Estes Passadiços de Vizela, permitem-nos “esticar as pernas” ao longo de quase seis quilómetros, em bonitos cenários, sempre com o agradável e melódico som da água como companhia e em harmonia com a Natureza. Percorrer os Passadiços de Vizela é, sem dúvida, um óptimo programa para um dia bem passado que terminará, inevitavelmente, no centro da cidade a provar o Bolinhol, um doce regional tradicional de Vizela. O Bolinhol é uma espécie de pão-de-ló rectangular com uma cobertura de açúcar e que foi eleito (em 2019) uma das “7 Maravilhas Doces de Portugal”.


Passadiços de Vizela
Passadiços de Vizela
 
 
  • Foto do escritor: João Pais
    João Pais
  • 19 de jun. de 2024
  • 3 min de leitura
Santuário Nossa Senhora da Abadia, em Amares

Este é mais um daqueles locais de uma beleza incontornável. Um santuário cheio de história, com uma igreja majestosa numa envolvente quase mágica. Ah!... E ainda tem uma queda de água. Vamos conhecer mais um excelente Hot Spot: o Santuário de Nossa Senhora da Abadia, bem perto de Santa Maria do Bouro, no concelho de Amares.



O Santuário de Nossa Senhora da Abadia, está situado praticamente nos limites do concelho de Amares com Terras de Bouro e bem perto do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Localizado no sopé do Monte de Santa Isabel (890 metros de altitude), em local isolado, este Santuário tem uma longa história e é considerado por muitos o mais antigo santuário mariano.

O recinto que compõe o Santuário é composto pela majestosa igreja, um cruzeiro, edifícios de apoio aos peregrinos, um museu, parque de merendas e pelas capelas da via-sacra. Todo o espaço está envolto numa paisagem fantástica, entre enormes plátanos onde impera o silêncio que só é quebrado pelo alegre chilrear dos pássaros e pelo som do correr da água da ribeira que por ali passa e pela bela queda de água.


Igreja de Nossa Senhora da Abadia
Igreja de Nossa Senhora da Abadia

Desde logo somos impressionados pela grandiosidade do templo. Uma igreja grande, com duas torres sineiras e, entre as quais, existe uma varanda com um pequeno altar, decorada com azulejos e tecto pintado. Se a imponência exterior do templo deixa o visitante menos prevenido boquiaberto, o seu interior deslumbra pela grandiosidade das usas três naves separadas por fiadas de arcos assentes em colunas e pela grandiosidade da sua decoração, principalmente do seu altar principal, pela beleza da sua talha e das suas imagens. O templo apresenta ainda um órgão dos finais do século XVIII.


Interior da Igreja de Nossa Senhora da Abadia

A igreja actual, de estilo barroco, é uma construção do século XVII mas, segundo consta, o Santuário ter origens bem remotas. O Santuário de Nossa Senhora da Abadia terá sido erguido no local onde terá existido um antigo mosteiro, o Mosteiro das Montanhas, um dos primeiros marcos cristãos na Península Ibérica. Desse antigo Mosteiro não restam quaisquer vestígios.

O Santuário está envolto numa lenda que fala numa antiga abadia que guardava uma imagem da Senhora. Aquando das invasões mouras, no século VII, a imagem teve que ser escondida. Após a Reconquista, dois ermitas (Frei Lourenço e Paio Amado), recolhidos por estes lados, terão avistado uma luz no meio do denso arvoredo, tendo encontrado uma gruta e, lá dentro, a imagem da Senhora. Em hora à Senhora foi erguida uma ermida junto a essa gruta.

Interior da Igreja de Nossa Senhora da Abadia
Interior da Igreja de Nossa Senhora da Abadia

Essa ermida terá dado origem à actual igreja. Pouco se sabe acerca da veracidade destes factos, mas a verdade é que no Santuário existe uma gruta onde, segundo dizem, terá aparecido a imagem…

Fora da igreja estende-se um amplo e agradável terreiro onde de ambos os lados se distribuem os quartéis (século XVIII) que serviam para a pernoita dos peregrinos que aqui se deslocavam, e que hoje albergam a casa das ofertas e o Museu de Arte Sacra e Etnográfico da Confraria de Nossa Senhora da Abadia. Em frente à igreja ergue-se um bonito cruzeiro com a imagem de Cristo crucificado, também ele do século XVIII.

Num dos acessos ao Santuário existe uma via-sacra formada por 15 pequenas capelas, construídas entre os anos de 1725 e de 1800. A via-sacra contempla sete capelas quadrangulares representativas da vida de Cristo e oito, hexagonais, dedicadas à Virgem.


Queda de água de Nossa Senhora da Abadia
Queda de água de Nossa Senhora da Abadia
Queda de água no rio Nava
Queda de água no rio Nava

Nas imediações da igreja, para além da gruta onde terá aparecido a imagem, ainda podemos encontrar uma velha ponte medieval, um frondoso bosque com um parque de merendas e a Cascata de Nossa Senhora da Abadia, onde as águas do rio Nava, também conhecido por ribeira da Abadia, correm serra abaixo, escorregando pelas rochas, formando sucessivas quedas de água. Todo este cenário torna este espaço num local muito aprazível, de grande beleza e de plena comunhão com a Natureza e com o divino.

O rio Nava, também conhecido por ribeira da Abadia, nasce junto à aldeia de Seara, já no concelho de Terras de Bouro, perto do pico Piorneiro, a mais de 900 metros de altitude, e percorre uma extensão de, aproximadamente, sete quilómetros até desaguar no rio Cávado, junto à praia fluvial do Barquinho, em Santa Maria do Bouro (Amares).


Santuário Nossa Senhora da Abadia, em Amares
Santuário Nossa Senhora da Abadia, em Amares

Coordenadas GPS:

N 41º40.50834' W 8º15.49458'

41.675139, -8.258243


 
 
  • Foto do escritor: João Pais
    João Pais
  • 10 de jun. de 2024
  • 9 min de leitura
Dia de Portugal

Hoje, dia 10 de Junho, celebra-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Portugal é um país maior da história mundial. Ao contrário do que muitos apelam por aí, temos que ter orgulho no nosso passado e na nossa história. Neste "cantinho" repleto de paisagens maravilhosas, com quase 900 anos de história, deveríamos aproveitar a data para olhar para o passado e repensar o futuro. Olhar para o futuro do país, para as futuras gerações, para o futuro dos territórios despovoados, para o nosso património e para o ambiente.

Mas porquê o dia 10 de Junho? E quais são as dez coisas que identificam Portugal?


A primeira referência a 10 de Junho como o dia nacional surge em 1880 por decreto do rei D. Luís I que declara a data como “Dia de Festa Nacional e de Grande Gala” para comemorar, nesse ano, os 300 anos da morte do nosso poeta maior, Luís de Camões que, supõe-se, terá falecido a 10 de Junho de 1580. Com a implantação da República, em 1910, a data passa a ser feriado nacional.

Mais tarde, durante o regime ditatorial do Estado Novo (de 1933 até ao 25 de Abril de 1974), o dia 10 de Junho era celebrado como o “Dia de Camões, de Portugal e da Raça”. A partir de 1963 o dia passa também a prestar homenagem às Forças Armadas Portuguesas, data que era aproveitada pelo Estado Novo para exaltar a guerra no ultramar e o poder colonial, associando Camões e os descobrimentos portugueses às colónias, ao sentimento de uma grande nação espalhada pelo mundo com uma raça e uma língua comum.

A partir de 1978 a data passou a prestar homenagem a Portugal, Camões e às Comunidades Portuguesas.

Normalmente, do programa do Dia de Portugal fazem parte cerimónias oficiais, desfiles militares, entregas de medalhas de mérito a individualidades pelo seu trabalho em nome da nação.

Este dia é ainda considerado como dia da Língua Portuguesa, do cidadão nacional, das Forças Armadas e do Anjo Custódio de Portugal.


E quais são as dez coisas que melhor definem Portugal? Sem qualquer ordem de relevância, escolhi as que me pareceram mais identificativas e marcantes do nosso país, do povo português e da nossa cultura.


Fado

Estilo musical português, elevado a Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2011. É difícil encontrar a sua origem, mas há quem defenda a tese que tenha sido desenvolvido a parir de cânticos muçulmanos ou das músicas dos escravos brasileiros que teriam chegado até nós através dos marinheiros. Outra tese, remete para os trovadores medievais cujas canções contêm características que o fado conserva. O Fado de Lisboa tem algumas semelhanças com as cantigas de amigo e o Fado de Coimbra com as cantigas de amor. O Fado só passou a ser reconhecido, nas ruas de Lisboa, em meados do século XIX.

Nos centros urbanos de Lisboa e do Porto, o fado é um fenómeno situado nas zonas mais antigas da cidade, e é cantado em casas típicas, onde a decoração alusiva ao fado está sempre presente – o xaile e a guitarra portuguesa. Os temas mais recorrentes passam pelo amor, o destino, a tragédia e a saudade, daí o seu tom triste e lamentoso. Em Coimbra, a tradição diz que o Fado é tocado e cantado pelos estudantes da universidade desde o século XVI, somente por homens e envergando a capa, que deve estar traçada. Ao contrário do Fados de Lisboa, cantado nas tabernas e casas de fado, o Fado de Coimbra é um fado de serenata, tradicionalmente cantado nas ruas.

A palavra fado deriva do latim fatum, que significa destino.


Galo de Barcelos

A simbologia do galo encontra-se presente na mitologia e em diversas religiões ao longo dos tempos. Encontra-se nas raízes da nossa cultura, inspirada por gregos e romanos. O galo está associado a coisas positivas como a luz e o sol, sendo na tradição cristã associado a Cristo. O galo é símbolo do povo e, devido ao seu canto, está associado à vitória e ao afastamento de bruxas e outros males.

O Galo de Barcelos é uma referência incontornável do artesanato português e um dos símbolos do nosso país. Hoje, é um ícone de Portugal e existe um em quase todas as casas nacionais. Durante o Estado Novo, a construção de uma imagem turística do país levou a que a imagem do Galo (oriundo da olaria de Barcelos) tivesse obtido algum consenso e, a partir das décadas de 50 e 60 o Galo de Barcelos transforma-se no símbolo do turismo nacional e um ícone de identidade da nação.

A lenda do Galo narra a intervenção milagrosa de um galo morto na prova da inocência de um homem erradamente acusado. Em Barcelos, na época medieval, um peregrino a caminho de Santiago de Compostela terá sido acusado de um crime e acabou condenado à forca. Dizendo-se inocente, o peregrino pediu para ser levado até ao juiz. Na casa do juiz, onde decorria um banquete, o homem voltou a afirmar a sua inocência e perante os risos e a incredulidade dos presentes, o peregrino apontou para um galo assado que estava em cima da mesa e disse: “É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem”.

Claro que ninguém presente o levou a sério, mas quando o peregrino estava a ser enforcado o galo ergueu-se na mesa e cantou. O juiz, compreendendo o seu erro, correu até à forca para tentar evitar a injustiça, descobrindo que o peregrino se salvara graças a um nó mal feito. O homem foi imediatamente solto e mandado em paz.

Alguns anos mais tarde, o peregrino terá voltado a Barcelos para construir o cruzeiro medieval que faz parte do espólio do Paço dos Condes - o Cruzeiro do Senhor do Galo.

Conta-se que o primeiro galo terá sido feito pelo artesão Domingos Côto.


"Zé Povinho"

O “Zé Povinho”, com o seu gesto de manguito, é uma figura emblemática do imaginário nacional, uma espécie de símbolo do povo português, retratando o homem comum, eternamente explorado e enganado pelos políticos. A personagem surgiu pela primeira vez em 1875 numa caricatura.

O “Zé Povinho” é uma personagem satírica de crítica social criada por Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) e adoptada como personificação do povo português, servindo também para criticar o sistema político e os seus protagonistas. Rapidamente a figura ultrapassou o seu criador e passou a símbolo nacional. A partir dos finais do século XIX ganhou forma tridimensional com as peças de cerâmica da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha.

Rafael Bordalo Pinheiro foi o mais célebre artista plástico, caricaturista e ilustrador português do século XIX. Foi ainda ceramista, decorador e editor. Com o tempo, o “Zé Povinho” ultrapassou a vida do seu criador e, ainda hoje, continua a ser recriado por outros autores.


Arte Xávega

Esta é uma arte de pesca artesanal apenas praticada em Portugal, nas zonas compreendidas entre Espinho e a Costa da Caparica. Executada com rede de cerco, de forma cónica, e um cabo longo com flutuadores.

A rede é levada para o mar, longe da costa, por uma embarcação (também ela com caracteríticas próprias), ficando uma das pontas do cabo amarrada a um tractor. Os pescadores efetuam o cerco aos cardumes de peixe em alto mar e retornam à praia desenrolando a outra metade do cabo para a sua extremidade ser enrolada a um segundo trator. Depois os tractores puxam a rede para terra.

Outrora as redes eram puxadas à mão, depois passaram e ser puxadas por juntas de bois e, actualmente, essa tarefa é executada com a ajuda de tractores. A palavra xávega provém do termo árabe xábaka, que significa rede.


Vinho do Porto

O Vinho do Porto é um vinho natural e fortificado, produzido exclusivamente na Região Demarcada do Douro e armazenado e envelhecido em caves, em Vila Nova de Gaia. Este vinho ficou conhecido como Vinho do Porto por, no século XVIII, ser exportado a partir desta cidade.

A Região Demarcada do Douro é a mais antiga região demarcada do Mundo, criada em 1756 por D. José I, Marquês de Pombal. A Região foi classificada como Património Mundial da UNESCO em Dezembro de 2001.

A origem da produção do Vinho do Porto é incerta, mas sabe-se que o que torna estes vinhos distintos são as castas utilizadas e as características da zona onde é produzido – os socalcos do Douro. O processo de fabrico destes vinhos, baseia-se na tradição ancestral e na paragem da fermentação do mosto pela adição de aguardente vínica, ao que se segue o seu armazenamento e envelhecimento em caves. Este processo de adição de aguardente vínica já era utilizado na época dos Descobrimentos para se conservar o vinho durante as viagens.


Estilo Manuelino

É um estilo decorativo e escultórico que se desenvolveu no reinado de D. Manuel I (1495-1521), mas o nome só foi adoptado mais tarde, no século XIX. É uma variação portuguesa do gótico, bem como da arte luso-mourisca, ou arte mudéjar. Com os Descobrimentos os navegadores portugueses deram a conhecer ao mundo civilizações longínquas e muitos artistas estrangeiros vieram trabalhar no país trazendo grande riqueza e conhecimento. Desse encontro de culturas terá nascido o Manuelino.

A Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos são dois importantes exemplos deste estilo, mas em todas as obras construídas na época facilmente se descobrem motivos como a esfera armilar, a cruz de Cristo e muitos outros símbolos como ramos e folhagens, cordas torcidas e formas marinhas, minuciosamente esculpidos na pedra.


Azulejos Portugueses

O Azulejo é uma das marcas mais distintivas da cultura portuguesa. A arte da azulejaria havia de criar raízes e tradição em Portugal por influência dos árabes. Os artesãos nacionais pegaram na técnica mourisca, simplificaram-na e adaptaram os padrões ao gosto ocidental. O azulejo tem 500 anos de produção nacional.

A partir dos finais do século XV, a decoração ornamental muçulmana teve um papel importante na arte portuguesa. Por essa altura, o Azulejo sofre um grande desenvolvimento a nível nacional e muitos edifícios e espaços públicos são ornamentados com painéis de Azulejos.

Na segunda metade do século XVII as composições de azulejo deixam de ser repetitivas, passando a ser cheias de dinamismo, de figuras em movimento representadas na tonalidade azul.

A partir do século XIX, o Azulejo deixa de ser quase exclusividade dos palácios e das igrejas e passa a estar presente nas fachadas dos edifícios e, mais tarde, já em pleno século XX, o Azulejo passa a estar presente nas estações de caminho de ferro e de metro. Esta tradição ancestral torna-se ainda mais popular, com a sua utilização como solução decorativa para cozinhas e casas-de-banho.

O Azulejo tem mostrado uma prova de resistência temporal, de inovação e de renovação. A originalidade da utilização do Azulejo Português e o diálogo que estabelece com as outras artes faz dele caso único no mundo.


Filigrana Portuguesa

A Filigrana é um trabalho ornamental, feito de forma artesanal, com fios muito finos e pequenas bolas de metal, soldadas de forma a compor uma forma. De referir que mais nenhuma outra arte de joalharia usa esta técnica de fusão para unir fios de ouro. A Filigrana é uma arte viva e existe, essencialmente, na região norte de Portugal.

A origem da Filigrana remonta ao terceiro milénio antes de Cristo, na Mesopotâmia. Claro que a Filigrana deste tempo tão remoto não era igual à que conhecemos nos dias de hoje, mas a semelhança das técnicas utilizadas não deixa dúvidas. Só durante o domínio dos romanos, durante o século II a.C., começou a existir na Península Ibérica exploração mineira, mas apenas milhares de anos depois, no século VIII d.C., se tem certeza de que a Filigrana estava a ser desenvolvida e produzida em Portugal. Com a chegada de povos Árabes surgiram novos padrões e, pouco a pouco, a Filigrana da Península se começou a diferenciar da Filigrana de outras partes do mundo. A partir do século XVII, a Filigrana Portuguesa já tinha um imaginário próprio e moldes muito diferentes de qualquer outra.


Calçada Portuguesa

A Calçada Portuguesa é um revestimento de piso utilizado, principalmente, na pavimentação de espaços públicos como passeios, praças, pátios e zonas pedonais. Normalmente, usam-se pedras de calcário (por serem mais fáceis de trabalhar) branco e preto assentes no chão, como uma espécie de puzzle, que formam padrões, mosaicos e uma série de motivos decorativos aproveitando o contraste das duas cores.

Apesar dos pavimentos calcetados terem surgido em Portugal no século XVI, a Calçada Portuguesa, tal como a conhecemos hoje, começou a ser utilizada após a reconstrução da cidade de Lisboa, depois do terramoto de 1755.

Esta arte tornou-se popular e foi levada para o Brasil e para as colónias portuguesas existentes na altura. Mais tarde, a Calçada Portuguesa foi adoptada em grandes cidade do Mundo.


Saudade

Palavra portuguesa de difícil tradução, tendo sido considerada (em 2004) por uma empresa britânica uma das dez mais difíceis palavras para se traduzir.

A palavra Saudade tenta transmitir um sentimento de nostalgia causado pela ausência de algo, de alguém ou de um lugar. A palavra pode também ser usada para manifestar a vontade de reviver experiências, situações ou momentos já passados.

Derivada do Latim solitas, é uma das palavras mais presentes no Fado, na poesia e na música popular. É uma palavra recorrente na língua portuguesa e indissociável da nossa cultura.



 
 
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