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  • Foto do escritor: João Pais
    João Pais
  • 31 de out. de 2025
  • 6 min de leitura
Pulo do Lobo
Pulo do Lobo

Hoje trago um local singular onde podemos admirar a força e a beleza da Natureza. Um espectáculo natural imponente. Em pleno coração do Parque Natural do Vale do Guadiana, encontra-se um dos “segredos” mais impressionantes do sul de Portugal: o Pulo do Lobo.

Aqui, situa-se o ponto mais estreito do rio Guadiana, um local onde o rio se revolta e onde as suas águas se precipitam por uma estreita garganta, criando um som estrépito que ecoa pelas encostas. O Pulo do Lobo é um lugar de visita obrigatória para quem anda por estes lados, uma “jóia escondida” no imenso Alentejo que, certamente, vai ficar na sua memória.


O Pulo do Lobo é o ponto mais apertado do rio Guadiana, onde o seu leito se estreita abruptamente entre escarpas rochosas de xisto e quartzito, formando uma das maiores quedas de água do sul de Portugal e que, aqui, serve de limite territorial entre os concelhos de Mértola e de Serpa.

O Pulo do Lobo é um acidente geológico com mais de 10.000 anos, onde a rocha foi sendo “rasgada” pela erosão da água. Ao longo dos tempos, o rio foi escavando o leito rochoso e moldando a paisagem com a força das suas águas criando uma garganta profunda e sinuosa. Aqui, as águas cristalinas do Guadiana precipitam-se por uma “fenda” rochosa, muito estreita, numa queda de cerca de 16 metros, onde as águas rugem num mar de espuma para depois para darem lugar a um lago de águas serenas e silenciosas. Depois da queda de água, as águas ficam mais calmas numa espécie de “caldeirão” formado por rochas, chamado de Pego do Sável (onde algumas das espécies de peixes migradoras chegam para desovar, subindo o rio, vindas do mar). O Guadiana segue depois o seu curso para sul, para se encontrar com o Atlântico, junto a Vila Real de Santo António.


Pulo do Lobo
Pego do Sável, um imenso "caldeirão" onde as águas do Guadiana ficam mais calmas depois da queda de água

Esta “fenda” estreita por onde correm as águas do Guadiana, como que divide o leito do rio em duas partes distintas; antes mais largo e calmo e, depois do Pulo do Lobo, mais estreito e escarpado. Aqui podemos observar várias cavidades rochosas, as marmitas de gigante ou marmitas turbilhonares. Estes “buracos” de diversas dimensões, mais ou menos arredondados, são formados por acção do movimento turbilhonar da água que arrasta seixos, areias e outros sedimentos. É a prova de que água mole em pedra dura, tanto bate até que fura...

Este é o local onde as margens do Guadiana estão mais próximas, dizendo-se mesmo que seria possível, num único pulo, os lobos passarem de uma margem para a outra. Vem daí o nome do local.


Pulo do Lobo
A estreita "fenda" por onde correm as águas do Guadiana e onde se podem observar as Marmitas de Gigante

O Pulo do Lobo está situado em zona protegida do Parque Natural do Vale do Guadiana, é o principal acidente geológico do rio Guadiana e é um geossítio de relevância nacional. É um local de grande beleza e imponência e que conserva uma importante biodiversidade. A sua vegetação é composta por várias espécies típicas dos habitats dos matagais mediterrânicos (murtas, zambujeiros, aroeiras, estevas, tojos, alecrim, tomilhos e rosmaninhos e diversas flores silvestres) e as escarpas altas e rochosas que envolvem o local servem de refúgio a espécies como a cegonha preta, o bufo real e a águia real. Por entre a vegetação densa, existe uma fauna muito diversa, onde se destaca o lince ibérico, mas onde também podemos encontrar lontras e javalis, entre outras espécies que encontram refúgio nas margens do rio.

O Pulo do Lobo é um local de lendas e histórias de contrabando que têm passado de geração em geração por tradição oral. Histórias que fazem parte do património imaterial da região e que contribuem para o fascínio que o Pulo do Lobo exerce sobre os visitantes. Conta-se que, em tempos antigos, um lobo perseguido por caçadores terá conseguido saltar de uma margem para a outra do desfiladeiro. A distância entre as duas margens, em certos pontos, é tão estreita que o salto, embora bastante improvável, não seja totalmente impossível – fantasia que tem vindo a alimentar a imaginação popular e de quem visita o local. Existem lendas que falam de pastores, criaturas míticas que habitam as profundezas do rio e amores proibidos. Uma dessas lendas conta-nos a triste história de um amor impossível entre uma princesa e um camponês. Na aldeia de Corte Gafo vivia uma princesa muito bela e, do outro lado do rio, vivia um camponês destemido que saltava o desfiladeiro para poder encontrar-se com a sua amada. Um dia, o jovem foi apanhado pelo rei, que o ameaçou se ele continuasse visitar a princesa. As ameaças não assustaram o rapaz que continuou com os seus destemidos saltos sobre o estreito do rio para visitar a bela princesa às escondidas. Um dia, o rei surpreendeu novamente o rapaz e chamou uma bruxa que lhe lançou um feitiço: “Se saltares novamente o rio, transformar-te-ás em lobo”. Esta ameaça não impediu que o rapaz continuasse a saltar as margens do rio para se encontrar com a sua amada, sob a forma de lobo. Quando rei descobriu que os encontros se mantinham, reuniu os seus homens e os seus cães e partiram em perseguição do rapaz. Os dois amantes fugiram na direção do rio e, quando lá chegaram, tentaram saltar para a outra margem, mas a princesa não alcançou o outro lado, caindo no desfiladeiro e desaparecendo nas águas revoltas do Guadiana. O rapaz não suportou a dor de perder o seu grande amor e lançou-se também no abismo, onde morreu, meio homem, meio lobo.


Pulo do Lobo
O Pulo do Lobo e os passadiços (com cerca de 300 degraus) na margem esquerda do Guadiana

O acesso ao Pulo do Lobo é fácil e está bem sinalizado. Pode-se aceder ao Pulo do Lobo quer a partir de Mértola (cerca de 30 quilómetros), quer a partir de Serpa (perto de 40 quilómetros). Tanto de um lado, como do outro, os últimos 1.500 a 2.000 metros terão que ser feitos em estrada de terra batida. Do lado de Serpa (na margem esquerda do Guadiana) existem uns passadiços que acompanham o curso do rio. Os Passadiços do Pulo do Lobo (com cerca de um quilómetro) permitem contemplar a paisagem enquanto se desce a encosta de 50 metros ao longo dos seus cerca de 300 degraus. Eu optei pelo lado de Mértola, pois estava por lá.

A partir da vila de Serpa, há que tomar a estrada 265 em direcção às Minas de São Domingos. Seguir (cerca de 25 quilómetros) até à localidade de Vale de Poço, onde deverá virar à direita e continuar (mais dez quilómetros) até encontrar a indicação do desvio para o Pulo do Lobo. Existe uma outra alternativa, por estrada secundária (e estreita) que serve zonas agrícolas com campos de cultivo e olivais. São cerca de 20 quilómetros. Esta estrada (a M514, também conhecida por estrada de São Brás, por passar próximo à ermida com o seu nome) tem início junto ao hotel Pulo do Lobo, em Serpa.

A partir de Mértola, podemos chegar à margem direita do Guadiana seguindo a estrada nacional em direcção a Castro Verde (cerca de quatro quilómetros), para depois se virar à direita para a aldeia de Corte Gafo de Cima, seguir para Amendoeira da Serra e depois em direcção à herdade do Pulo do Lobo. O caminho está sempre bem sinalizado. Quando chegar à herdade pode abrir o portão, e voltar a fechá-lo depois de passar, para os animais (ovelhas) não saírem. Depois do portão são cerca de 1.500 metros em estrada de terra batida até ao Pulo do Lobo. Esta estrada de acesso à beira rio é bastante inclinada, pelo que, após algumas chuvas, poderá ficar em mau estado. Agora estava impecável. Apesar do carro poder ir até lá baixo (quando a estrada está em bom estado), recomendo que o deixe no pequeno largo antes do portão e seguir o caminho a pé (embora a subida de regresso seja penosa), para não causar perturbações quer nos animais, quer no próprio local.

Visitar o Pulo do Lobo requer alguns cuidados, principalmente se for acompanhado de crianças. Para além do perigo óbvio da queda de água, o terreno apresenta muitas irregularidades e diversas cavidades rochosas (marmitas de gigante). Acima de tudo, requer que se respeite o local e que tenha os cuidados “normais” para quem circula e caminha no meio de espaços naturais: não se afaste do caminho existente e não se aventure a caminhar em cima das rochas. Não faça barulho e não deixe lixo. Ah! E nem lhe passe pela cabeça tentar saltar de um lado para o outro… Não “vá atrás” de lendas, o espaço é mais largo do que parece.


Pulo do Lobo
O Pulo do Lobo é um lugar para sentir. Um lugar que vai recordar para sempre

O Pulo do Lobo é um local imperdível. Uma “jóia escondida” no nosso Alentejo. Um sítio absolutamente mágico, de grande beleza natural com a Natureza no seu estado puro, onde o tempo parece abrandar. O Pulo do Lobo é um lugar para visitar sem pressas; é um local que convida o visitante à contemplação, um lugar para admirar a Natureza em silêncio, escutar o rio e relaxar. Um lugar para sentir. O Pulo do Lobo é um local selvagem, poético e cheio de alma, um daqueles lugares que vamos recordar para sempre.

Recomendo visitar no início da Primavera ou após grandes temporadas de chuva (quando o caminho poderá ficar mais difícil) que é quando o caudal do Guadiana ganha uma força ainda mais impressionante. Dizem, que ao pôr do sol, a luz dourada reflete nas águas e nas rochas, criando um cenário quase místico.


Coordenadas GPS:

N 37º48.24558’ W 7º38.01216’

37,804093 -7.633536


 
 
  • Foto do escritor: João Pais
    João Pais
  • 21 de out. de 2025
  • 2 min de leitura
Sete anos de Linha de Terra - Cabril do Ceira
Cabril do Ceira

No dia 21 de Outubro de 2018 o projecto Linha de Terra via a luz do dia pela primeira vez.

Iniciei as publicações do blog com um local que eu adoro e que, na altura, era um local selvagem e pouco conhecido – o Cabril do Ceira, em Serpins (Lousã). Hoje, o Cabril do Ceira já não é tão desconhecido, nem tão selvagem… mas continua a ser um dos meus spots favoritos.

Como já tive oportunidade de explicar, o blog Linha de Terra nasce da insistência de um grupo de Amigos, que teimavam que eu devia partilhar e divulgar os locais fantásticos que ia conhecendo e fotografando. Após alguma hesitação e muito pensar, o blog Linha de Terra via, finalmente, a luz do dia.


Sete anos de Linha de Terra - Azenhas do Mar
Azenhas do Mar

Não têm sido sete anos fáceis. Têm sido anos de muito trabalho, dedicação, paixão e de muitas horas de sono perdidas. Mas tem valido a pena. Este é um projecto que me dá muito gosto fazer acontecer e fazer crescer. O projecto Linha de Terra tem crescido, tem ganho notoriedade e vai traçando o seu percurso, passo a passo, quilómetro a quilómetro. Longe de tendências ou de modas, sem a pressão de um calendário, sigo o meu caminho, ao meu ritmo. O caminho que gosto e que idealizei para este projecto desde o seu início: evitar as grande cidades, fugir dos principais roteiros turísticos e divulgar aquele lugar de que gosto. E vai continuar a ser assim.

Desde 2018 tenho vindo a percorrer o nosso país, de norte a sul (com uma breve passagem pelos Açores), do litoral ao interior, em busca do que de melhor e de mais genuíno Portugal tem para oferecer. Aldeias e vilas, serras e vales, praias e miradouros, trilhos e passadiços, já são muitos quilómetros a descobrir Portugal. Sete anos a conhecer e divulgar o melhor do nosso país, um pouco da sua história, a mostrar a sua diversidade e aquilo que temos de mais belo. Temos que gostar, conhecer e valorizar a nossa terra. Temos que ter orgulho no nosso território. Afinal, temos o mais belo país do Mundo!


Sete anos de Linha de Terra - Vilarinho de Negrões
Vilarinho de Negrões

Aniversário também é altura de agradecimentos. Quero deixar aqui uma palavra especial a todos os leitores do blog e a todos aqueles que acompanham o meu trabalho nas redes sociais, bem como a todos os que me têm dado apoio, acreditado em mim e neste projecto. Sem vocês desse lado, a dar apoio e força, o projecto Linha de Terra não fazia sentido.

Eu, e o leitor, havemos de nos cruzar por esse país fora. Até lá!


Sete anos de Linha de Terra




 
 
  • Foto do escritor: João Pais
    João Pais
  • 3 de set. de 2025
  • 5 min de leitura
Covão de Cete
Covão de Cete

O Covão de Cete é uma local bastante pitoresco e tranquilo, ideal para quem procura um refúgio na Natureza. É de fácil acesso e apenas implica uma caminhada de cerca de cinco minutos por entre um bosque frondoso. A cascata e a sua envolvente são um local perfeito para um passeio relaxante, longe do corre-corre rotineiro dos nossos dias. Bem perto, fica o Mosteiro de Cete pelo que deve aproveitar para fazer uma visita.



Cascata do Covão de Cete
Cascata do Covão de Cete

Hoje trago um local que, nos últimos tempos, tem sido muito fotografado e publicado nas redes sociais. Graças ao seu banco em forma de coração e, claro está, devido à beleza do local, o Covão de Cete deixou o quase anonimato e saltou para a ribalta dos lugares mais procurados do norte do país. Devido ao seu fácil acesso, têm sido muitas as fotografias publicadas nas redes sociais. Linha de Terra tinha que ir conhecer este “novo” Hot Spot às portas da cidade de Paredes.

O Covão é um afloramento granítico com grandes blocos de pedra empilhados de forma natural num vale bastante cavado por onde corre a ribeira de Baltar (um afluente do rio Sousa, com cerca de cinco quilómetros). Aqui, as águas da ribeira despenham-se algumas dezenas de metros, rocha abaixo, formando uma cascata imponente (principalmente, após o Inverno).

O pequeno trilho que temos de efectuar (menos de um quilómetro) para chegar ao Covão de Cete, é como se fosse um preparativo, um espaço de tempo para nos desligarmos do nosso quotidiano e nos conectarmos com a Natureza. Um momento para nos encontramos a nós próprios, para absorver a beleza que nos rodeia e comungar com a Natureza. A pequena caminhada, acessível praticamente a todas as idades, leva-nos a atravessar algumas pontes de madeira, a desviar de troncos de árvores e evitar algumas rochas, tudo num percurso bem limpo e bastante intuitivo (não existe qualquer sinalética). Recomendo algum cuidado em dias em que o piso possa estar molhado, pois pode tornar-se escorregadio. Após o pequeno trilho, vamos encontrar um recanto bastante bonito, ideal para se conectar com a Natureza e relaxar. Aqui vai encontrar uma impressionante queda de água, um pequeno baloiço, uma ponte metálica e um banco em forma de coração.


Covão de Cete
Covão de Cete

O Covão de Cete, como o nome indica, localiza-se em Cete, no concelho de Paredes, a cerca de 30 minutos do Porto e apenas a dez minutos da cidade de Paredes. A apenas alguns metros do acesso ao Covão de Cete fica o Mosteiro de São Pedro de Cete, um dos monumentos mais antigos do concelho de Paredes. Os acessos ao Covão de Cete, apesar de incluírem estradas estreitas, não são difíceis. Pode usar o GPS (eu usei o Google Maps), mas terá que “afinar” o destino final para o ponto que aparece assinalado como “acesso ao Covão de Cete”, já que a máquina indica outra localização (em alternativa, pode colocar Mosteiro de São Pedro de Cete, o acesso ao Covão fica a cerca de 500 metros para a esquerda).

Pode chegar ao Covão de Cete pela A4 (saída 10), seguindo depois as indicações para o Mosteiro de Cete (são cerca de quatro quilómetros). Como já disse, o acesso ao Covão de Cete faz-se por um pequeno trilho que tem início 500 metros mais acima. Outra alternativa (menos óbvia, por não haver qualquer referência) é a partir da N15, em Baltar. Deve sair da N15 em direcção à igreja Matriz de Baltar, passado o cemitério, deverá virar à esquerda, mesmo antes de começar o separador central. Ao passar por baixo do viaduto da A4 (mesmo debaixo do viaduto), deverá seguir pela direita. Depois é só seguir em frente, entrar na estrada (estreita) de paralelos e o acesso ao Covão fica um pouco mais abaixo, numa curva apertada.

O estacionamento é o grande problema para aceder ao Covão de Cete. O acesso ao pequeno trilho faz-se numa curva muito apertada, sem visibilidade e numa rua estreita. No local, dará para estacionar três ou quatro carros. Por isso sugiro que visite o local num dia da semana, onde para além de ter lugar para estacionar, vai ter o espaço só para si... A 500 metros do acesso ao Covão, fica o Mosteiro de Cete onde há muito lugar para estacionar – o “problema” é que, depois de estacionar, terá que fazer esses 500 metros a subir...


Covão de Cete
Covão de Cete

O Covão de Cete tem feito bastante sucesso nas redes sociais, sendo partilhado por milhares de pessoas e, embora este local natural exista há muito tempo, a sua popularidade é bem mais recente devido à “abertura” do pequeno trilho de acesso, à colocação do baloiço e do banco em forma de coração que faz as delícias dos internautas. O Covão de Cete com o seu banco em forma de coração é um spot perfeito para umas fotografias bastante instagramáveis. Este é um local de grande beleza, propício ao relaxamento e à meditação. Aproveite o som da água a cair sobre as rochas, relaxe e sinta a Natureza e a tranquilidade do lugar. Para aproveitar na plenitude a beleza e o sossego do local, recomendo a visita em dias da semana, já que ao fim de semana a afluência ao local pode ser grande, dependendo da hora. Segundo pude apurar, o Covão de Cete encontra-se em terrenos particulares, pertencendo a uma quinta, cujo(s) proprietário(s) não se importa(m) que as pessoas desfrutem da beleza do local. Por isso, convém não fazer lixo (há vários sacos espalhados pelo local) nem barulho e preservar e respeitar o local.

O Covão de Cete é um óptimo local para que gosta de descobrir recantos bonitos, fazer pequenas caminhadas e do contacto com a Natureza. O Covão de Cete é um spot que deixou se ser apenas dos moradores e conhecedores da zona, para passar a ser do Mundo.


A poucos metros do acesso ao Coão de Cete fica o Mosteiro de São Pedro de Cete
A poucos metros do acesso ao Covão de Cete, fica o Mosteiro de São Pedro de Cete

Poucos metros abaixo do acesso ao Covão de Cete, no meio de campos agrícolas, e junto a um largo com árvores de grande porte, fica o Mosteiro de São Pedro de Cete. O Mosteiro é um dos edifícios mais antigos e mais importantes do concelho de Paredes e do Vale do Sousa, está classificado como monumento nacional e faz parte da Rota do Românico, por isso, não deve perder a oportunidade para o visitar.

O Mosteiro terá sido fundado no século X, e reconstruído no final do século seguinte por ordem de D. Gonçalo Oveques. Nos finais do século XIII e nos inícios do século XIV, o edifício terá sofrido grandes remodelações, por iniciativa do abade D. Estevão Anes, com alteração no tamanho da nave, reconstrução da capela-mor, alteração da sua fachada e esculturas dos capitéis. O claustro, a torre ameada e outros elementos terão sido consequência de posterior restauro, já no decorrer do século XV.

O Mosteiro pertenceu à Ordem de São Bento (monges beneditinos) até ao século XVI, altura em que D. João III transferiu o edifício para o Real Colégio da Graça dos Eremitas de Santo Agostinho (monges gracianos), de Coimbra. Em 1834, com a extinção das Ordens Religiosas o Mosteiro foi entregue à coroa e, posteriormente, as suas dependências foram vendidas em hasta pública. Ainda hoje, uma parte do edifício é propriedade particular (os anexos, as dependências do Mosteiro onde supostamente dormiam e habitavam os monges, bem como os claustros).

De destacar o bonito pórtico principal em arco apontado, com quatro arquivoltas, a pedra de armas, a rosácea rendilhada, a torre quadrangular ameada e as várias gárgulas representando animais fantásticos. O interior do Mosteiro é bastante simples, na base da torre encontra-se a capela funerária de D. Gonçalo Oveques e na capela-mor o túmulo do abade D. Estevão. É ainda possível ver uma pintura mural de São Sebastião, provavelmente do século XVI, e as imagens em pedra de São Pedro, Santa Luzia e de Nossa Senhora da Graça.


Coordenadas GPS:

N 41º10.8369’ W 8º22.34232’

41.180615 -8.372372


 
 
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